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Transformação digital e combate ao desemprego. Que futuro nos espera?

Transformação digital e combate ao desemprego. Que futuro nos espera?
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Existe um grande susto quando se fala em automatização dos processos produtivos, associando-a à substituição de trabalho humano por máquinas, o que resulta no aumento de desemprego, pois,quanto mais ágeis, autónomos e mecanizados forem os processos, menos pessoas serão necessárias. Não sou dos que vêem na transformação digital uma ameaça à criação de novos empregos. Pelo contrário, vejo uma janela de oportunidades,pois a automatização dos processos produtivos oferece, entre outras vantagens, maior integridade dos dados, redução de riscos operacionais, mais transparência e maior rigor nos cumprimentos das regras institucionais.

Entretanto, creio que só é possível vislumbrar as oportunidades se olharmos para a big picture da transformação digital e tirar proveito desta revolução. Aliás, para um país como Angola, onde as bases ainda são por se consolidar, digamos mesmo que ainda será necessário muito “trabalho braçal” para desenvolver o país, sem desprimor de quem o realiza.

Tomemos como o exemplo a construção de um avião ou de um comboio. Como sabemos, trata-se de processos altamente tecnológicos e automatizados, porém, os mesmos não deixam de abrir outras janelas para a promoção de novos empregos, nomeadamente ao nível da construção das pistas aéreas, das ferrovias, etc.

Penso que Angola tem diante de si mais uma oportunidade para desenvolver-se, aproveitando, por um lado, os largos investimentos que têm sido feitos nas telecomunicações,principalmente; mas, por outro lado, investindo e apoiando as iniciativas de empreendedorismo que vão surgindo.

Ou seja, o país tem um grande desafio, no que toca a criação de empregos para os jovens recém-formados e não só e a era da Indústria 4.0 deve ser aproveitada pelas instituições governamentais,proporcionando espaços laboratoriais com foco na exploração intelectual. Com essas infra-estruturas, se devidamente incentivados, os jovens deixarão de fazer parte do problema para serem eles a solução, sendo que os jovens quadros nacionais têm igualmente o direito de contribuir para o crescimento do país,tal como o fazem os sul-africanos ou ruandeses.

Mesmos em condições sócio-económicas desafiantes, jovens empreendedores na África do Sul,Tanzânia e Ruanda criam soluções tecnologicamente avançadas, no âmbito da transformação digital, tentando resolver algumas das necessidades já identificadas localmente. Ao contrário de ameaçar novos empregos, até aqui, o que se constata é um maior contributo dessas iniciativas de jovens empreendedores na redução do desemprego. Citemos o exemplo da Giraffe, startup sul-africana criadora de uma plataforma móvel de recrutamento de baixo custo. Venceu o prémio SeedStars World ehoje tem como missão ajudar a reduzir o desemprego nesse país vizinho e em mercados emergentes em geral.

Apesar dos constrangimentos que todos conhecemos, Angola tem dado alguns passos dignos de destaque no que ao aproveitamento da transformação digital para promoção de mais empregos diz respeito.

Já na Tanzânia, a startup Nala apresenta uma solução simplificada para fazer transacções monetárias de forma rápida e segura, sem necessariamente ter conexão por Internet. Essa é uma solução que, se implementada em Angola, revolucionaria os pagamentos móveis, visto que boa parte da população não tem acesso a smartphones e/ou internet. Nesse caso, retenhamos que a oportunidade surgiu da ausência do básico, que é o acesso a internet free, pilar importantíssimo neste processo de transformação digital, e que tem sido aproveitada, e bem, pela Wi-connect, startup angolana que pretende revolucionar o serviço de internet grátis no país.

No Ruanda, surge o projecto Droneport, com qual se pretende fazer mais com menos capitalizando os recentes avanços tecnológicos em torno de drones, alcançando assim impactos vitais e imediatos em África. Ou seja, o que se pretende é aproveitar as características dos drones e criar serviços de entrega de remédios e outros recursos urgentes a zonas de difícil acesso.

Apesar dos constrangimentos que todos conhecemos, Angola tem dado alguns passos dignos de destaque no que ao aproveitamento da transformação digital para promoção de mais empregos diz respeito. Startups como Tupuca, Kubinga, Kamba, Appy Saúde,entre outras não menos relevantes, criaram novos mais postos de trabalho e têm ajudado a resolver alguns desafios que nos afectam colectiva ou individualmente no dia-a-dia.

Mas, admitamos que ainda temos um longo caminho a seguir e, para ultrapassarmos as barreiras,e transformá-las em oportunidades, é necessário resolvermos problemas de base,como é a baixa qualidade da educação ou a ausência de infra-estruturas de ensino, até mesmo em capitais de província. Será também necessário simplificar ainda mais os processos, em particular a legalização de empresas e o acesso ao crédito, nem descurar a necessidade de fiscalização desse último. Portanto,acredito sim que é possível investirmos na transformação digital sem comprometer os actuais postos de trabalho, ao mesmo tempo que criaremos novos,ágeis, tecnológicos e produtivos.

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Joel Neto

IBM BPM Developer; Systems Analyst

Engenheiro informático, apaixonado por programação e com vasta experiência de gestão de sistemas no sector financeiro.

Existe um grande susto quando se fala em automatização dos processos produtivos, associando-a à substituição de trabalho humano por máquinas, o que resulta no aumento de desemprego, pois,quanto mais ágeis, autónomos e mecanizados forem os processos, menos pessoas serão necessárias. Não sou dos que vêem na transformação digital uma ameaça à criação de novos empregos. Pelo contrário, vejo uma janela de oportunidades,pois a automatização dos processos produtivos oferece, entre outras vantagens, maior integridade dos dados, redução de riscos operacionais, mais transparência e maior rigor nos cumprimentos das regras institucionais.

Entretanto, creio que só é possível vislumbrar as oportunidades se olharmos para a big picture da transformação digital e tirar proveito desta revolução. Aliás, para um país como Angola, onde as bases ainda são por se consolidar, digamos mesmo que ainda será necessário muito “trabalho braçal” para desenvolver o país, sem desprimor de quem o realiza.

Tomemos como o exemplo a construção de um avião ou de um comboio. Como sabemos, trata-se de processos altamente tecnológicos e automatizados, porém, os mesmos não deixam de abrir outras janelas para a promoção de novos empregos, nomeadamente ao nível da construção das pistas aéreas, das ferrovias, etc.

Penso que Angola tem diante de si mais uma oportunidade para desenvolver-se, aproveitando, por um lado, os largos investimentos que têm sido feitos nas telecomunicações,principalmente; mas, por outro lado, investindo e apoiando as iniciativas de empreendedorismo que vão surgindo.

Ou seja, o país tem um grande desafio, no que toca a criação de empregos para os jovens recém-formados e não só e a era da Indústria 4.0 deve ser aproveitada pelas instituições governamentais,proporcionando espaços laboratoriais com foco na exploração intelectual. Com essas infra-estruturas, se devidamente incentivados, os jovens deixarão de fazer parte do problema para serem eles a solução, sendo que os jovens quadros nacionais têm igualmente o direito de contribuir para o crescimento do país,tal como o fazem os sul-africanos ou ruandeses.

Mesmos em condições sócio-económicas desafiantes, jovens empreendedores na África do Sul,Tanzânia e Ruanda criam soluções tecnologicamente avançadas, no âmbito da transformação digital, tentando resolver algumas das necessidades já identificadas localmente. Ao contrário de ameaçar novos empregos, até aqui, o que se constata é um maior contributo dessas iniciativas de jovens empreendedores na redução do desemprego. Citemos o exemplo da Giraffe, startup sul-africana criadora de uma plataforma móvel de recrutamento de baixo custo. Venceu o prémio SeedStars World ehoje tem como missão ajudar a reduzir o desemprego nesse país vizinho e em mercados emergentes em geral.

Apesar dos constrangimentos que todos conhecemos, Angola tem dado alguns passos dignos de destaque no que ao aproveitamento da transformação digital para promoção de mais empregos diz respeito.

Já na Tanzânia, a startup Nala apresenta uma solução simplificada para fazer transacções monetárias de forma rápida e segura, sem necessariamente ter conexão por Internet. Essa é uma solução que, se implementada em Angola, revolucionaria os pagamentos móveis, visto que boa parte da população não tem acesso a smartphones e/ou internet. Nesse caso, retenhamos que a oportunidade surgiu da ausência do básico, que é o acesso a internet free, pilar importantíssimo neste processo de transformação digital, e que tem sido aproveitada, e bem, pela Wi-connect, startup angolana que pretende revolucionar o serviço de internet grátis no país.

No Ruanda, surge o projecto Droneport, com qual se pretende fazer mais com menos capitalizando os recentes avanços tecnológicos em torno de drones, alcançando assim impactos vitais e imediatos em África. Ou seja, o que se pretende é aproveitar as características dos drones e criar serviços de entrega de remédios e outros recursos urgentes a zonas de difícil acesso.

Apesar dos constrangimentos que todos conhecemos, Angola tem dado alguns passos dignos de destaque no que ao aproveitamento da transformação digital para promoção de mais empregos diz respeito. Startups como Tupuca, Kubinga, Kamba, Appy Saúde,entre outras não menos relevantes, criaram novos mais postos de trabalho e têm ajudado a resolver alguns desafios que nos afectam colectiva ou individualmente no dia-a-dia.

Mas, admitamos que ainda temos um longo caminho a seguir e, para ultrapassarmos as barreiras,e transformá-las em oportunidades, é necessário resolvermos problemas de base,como é a baixa qualidade da educação ou a ausência de infra-estruturas de ensino, até mesmo em capitais de província. Será também necessário simplificar ainda mais os processos, em particular a legalização de empresas e o acesso ao crédito, nem descurar a necessidade de fiscalização desse último. Portanto,acredito sim que é possível investirmos na transformação digital sem comprometer os actuais postos de trabalho, ao mesmo tempo que criaremos novos,ágeis, tecnológicos e produtivos.

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