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Kâmia Madeira, Michelle Carvalho, Sofia Buco e Edusa Chindecasse: o que elas pensam sobre a emancipação da mulher

 Kâmia Madeira, Michelle Carvalho, Sofia Buco e Edusa Chindecasse: o que elas pensam sobre a emancipação da mulher
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O ONgoma News conversou com quatro jovens mulheres angolanas que partilharam connosco a sua experiência de afirmação feminina, não só enquanto mulheres, mas sobretudo enquanto profissionais. Cada uma delas vive a sua própria história, mas todas acreditam que “ainda há muito para ser feito” em termos de emancipação da mulher em Angola.

A actriz e apresentadora de televisão, Sofia Buco, afirmou que a emancipação da mulher angolana ainda é um desafio e leva algum tempo para manter-se consistente o lugar da mulher na sociedade.

“A cada dia que saímos de casa temos sempre um desafio, mas também temos sempre a vontade de melhorar cada vez mais, fazendo com que os homens vejam no sexo oposto alguém com capacidades intelectuais e psicológicas. A nossa cultura é muito conservadora e a mulher foi sempre ficando atrás, mas actualmente ela está a mudar esta prática”, salientou.

Para a entrevistada, a mulher angolana tem uma ligação muito forte à família, mas é necessário que ela vá tendo a sua própria escolha, pois “isso é o mais importante”, uma vez que “não interessa o que as pessoas dizem, mas o que realmente importa é a diferença que ela faz”.

Sofia Buco diz já ter sofrido discriminação e assédio sexual enquanto profissional, pelo que olha com repúdio para estes fenómenos que abalam as mulheres por todo o mundo. “As capacidades da mulher não têm a ver com a cama, muito pelo contrário, têm a ver com aquilo que nós somos, com o nosso carácter, a educação e a nossa formação”, defendeu.

Por sua vez, Michelle Carvalho, fotógrafa, com licenciatura em Fisioterapia, área em que já trabalhou durante dez anos, é apaixonada por crianças, o que a levou a abrir uma creche que alberga actualmente cerca de 80 alunos, revelou ao ONgoma News que nunca sentiu discriminação sexual no mercado de trabalho e não encara o facto de ser mulher como um obstáculo para progredir profissionalmente. “As mulheres não devem intimidar-se com isso. Devem é mostrar que podem fazer bem e melhor”, afirmou.

Ninguém deve submeter-se à violência doméstica

A entrevistada defende igualmente que a mulher tem um papel determinante na sociedade, “sendo mãe, educadora e dona de casa”, e porque, na maior parte das vezes, “as famílias, onde se aprende a base para a vida, são educadas por mulheres”.

Neste sentido, questionada sobre a violência doméstica, Michelle Carvalho considerou ser uma situação triste, embora reconheça que as mulheres estejam a ganhar mais coragem para denunciar estes casos. Mas, acrescentou, “ninguém deve se submeter a isso. Não devemos permitir que isso nos aconteça e se acontecer devemos denunciar”, apelou.

Na mesma linha de pensamento, Sofia Buco apelou as mulheres a serem “mais confiantes naquilo que se tem para dar, não ter medo de ninguém, pôr sempre a bola para frente”. Ainda que caiam, encorajou, devem levantar-se e não desistir na primeira queda, “porque as quedas fazem de nós melhores e maduras. O pior é cair e não conseguir levantar”. Ademais, acrescentou, “a mulher não pode depender de homem nenhum, porque depender é muito complicado. Tudo bem que há homens que não privam a mulher de trabalhar, mas o bom mesmo é a mulher trabalhar e ter o seu próprio dinheiro e poder também ajudar a sua família”, defendeu.

Já Michelle Carvalho reforçou que as mulheres, enquanto profissionais ou e empreendedoras, “devem sempre acreditar em si, ser determinadas, não desistir mesmo diante das dificuldades, respeitar sempre os clientes e cumprir com os horários e timings”. Referiu ainda que “não se deve namorar alguém só para obter um bom emprego ou qualquer outro poder”. Essas conquistas, na sua opinião, devem ser “por mérito” e como resultado “de trabalho”.

“As mulheres querem estar nas posições de destaque”

A Coordenadora da Biblioteca e Actividades Culturais da Academia BAI, Kâmia Madeira, reconhece que “ainda existe muito para ser alcançado” pela mulher angolana. Além da responsabilidade familiar, ela também tem de sustentar princípios, valores, educação, como na maior parte do mundo.

Kâmia Madeira afirma que “ser mulher não é desafiador só em Angola, mas o é em toda a parte do mundo, pois existem ainda pressupostos muito antigos, no que diz respeito ao papel da mulher”, que é tida como a encarregada do lar e da educação dos filhos. Hoje, prosseguiu, “as mulheres querem estar nas posições de destaque, querem também ganhar da mesma forma que os homens, querem ter reconhecimento pela sua capacidade de trabalho”.

Ainda sobre as conquistas da mulher angolana, a actriz Edusa Chindecasse, por sua vez, afirma que a mulher já tem algum espaço de destaque na sociedade. “Conseguimos ver as mulheres com mais garra”, disse, referindo ainda que, embora muitas sejam submissas em algumas situações, devido à falta de preparação, há cada vez mais mulheres “guerreiras e que cultivam o conhecimento”, independentemente da classe social a que pertençam. A fonte é ainda de opinião que a discriminação é uma situação que precisa ser combatida, para o efeito, “a mulher tem que trabalhar nisso”.

De volta, Kâmia Madeira acrescenta que as mulheres querem uma sociedade cada vez mais igualitária. “Infelizmente, nesta nova legislatura angolana, houve uma redução do número de mulheres na Assembleia Nacional, o que é preocupante também. Nós devemos sempre olhar para o papel da mulher, empoderando-a. Deve cada vez mais permitir que ela ascenda e se coloque em posição igualitária a dos homens”, defendeu.

Por fim, a fonte confirmou que é sempre muito desafiante conciliar a carreira e a vida pessoal e familiar, mas é possível fazer sempre mais e melhor. “Não nos podem tentar encaixotar. As mulheres podem ser muito mais, contribuindo para a sociedade e não devem olhar-nos apenas como pessoas frágeis”.

Saiba mais sobre o que as mulheres angolanas pensam da emancipação feminina:

 
 
 

 

 

                       

 

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Pedro Kididi

Jornalista

O ONgoma News conversou com quatro jovens mulheres angolanas que partilharam connosco a sua experiência de afirmação feminina, não só enquanto mulheres, mas sobretudo enquanto profissionais. Cada uma delas vive a sua própria história, mas todas acreditam que “ainda há muito para ser feito” em termos de emancipação da mulher em Angola.

A actriz e apresentadora de televisão, Sofia Buco, afirmou que a emancipação da mulher angolana ainda é um desafio e leva algum tempo para manter-se consistente o lugar da mulher na sociedade.

“A cada dia que saímos de casa temos sempre um desafio, mas também temos sempre a vontade de melhorar cada vez mais, fazendo com que os homens vejam no sexo oposto alguém com capacidades intelectuais e psicológicas. A nossa cultura é muito conservadora e a mulher foi sempre ficando atrás, mas actualmente ela está a mudar esta prática”, salientou.

Para a entrevistada, a mulher angolana tem uma ligação muito forte à família, mas é necessário que ela vá tendo a sua própria escolha, pois “isso é o mais importante”, uma vez que “não interessa o que as pessoas dizem, mas o que realmente importa é a diferença que ela faz”.

Sofia Buco diz já ter sofrido discriminação e assédio sexual enquanto profissional, pelo que olha com repúdio para estes fenómenos que abalam as mulheres por todo o mundo. “As capacidades da mulher não têm a ver com a cama, muito pelo contrário, têm a ver com aquilo que nós somos, com o nosso carácter, a educação e a nossa formação”, defendeu.

Por sua vez, Michelle Carvalho, fotógrafa, com licenciatura em Fisioterapia, área em que já trabalhou durante dez anos, é apaixonada por crianças, o que a levou a abrir uma creche que alberga actualmente cerca de 80 alunos, revelou ao ONgoma News que nunca sentiu discriminação sexual no mercado de trabalho e não encara o facto de ser mulher como um obstáculo para progredir profissionalmente. “As mulheres não devem intimidar-se com isso. Devem é mostrar que podem fazer bem e melhor”, afirmou.

Ninguém deve submeter-se à violência doméstica

A entrevistada defende igualmente que a mulher tem um papel determinante na sociedade, “sendo mãe, educadora e dona de casa”, e porque, na maior parte das vezes, “as famílias, onde se aprende a base para a vida, são educadas por mulheres”.

Neste sentido, questionada sobre a violência doméstica, Michelle Carvalho considerou ser uma situação triste, embora reconheça que as mulheres estejam a ganhar mais coragem para denunciar estes casos. Mas, acrescentou, “ninguém deve se submeter a isso. Não devemos permitir que isso nos aconteça e se acontecer devemos denunciar”, apelou.

Na mesma linha de pensamento, Sofia Buco apelou as mulheres a serem “mais confiantes naquilo que se tem para dar, não ter medo de ninguém, pôr sempre a bola para frente”. Ainda que caiam, encorajou, devem levantar-se e não desistir na primeira queda, “porque as quedas fazem de nós melhores e maduras. O pior é cair e não conseguir levantar”. Ademais, acrescentou, “a mulher não pode depender de homem nenhum, porque depender é muito complicado. Tudo bem que há homens que não privam a mulher de trabalhar, mas o bom mesmo é a mulher trabalhar e ter o seu próprio dinheiro e poder também ajudar a sua família”, defendeu.

Já Michelle Carvalho reforçou que as mulheres, enquanto profissionais ou e empreendedoras, “devem sempre acreditar em si, ser determinadas, não desistir mesmo diante das dificuldades, respeitar sempre os clientes e cumprir com os horários e timings”. Referiu ainda que “não se deve namorar alguém só para obter um bom emprego ou qualquer outro poder”. Essas conquistas, na sua opinião, devem ser “por mérito” e como resultado “de trabalho”.

“As mulheres querem estar nas posições de destaque”

A Coordenadora da Biblioteca e Actividades Culturais da Academia BAI, Kâmia Madeira, reconhece que “ainda existe muito para ser alcançado” pela mulher angolana. Além da responsabilidade familiar, ela também tem de sustentar princípios, valores, educação, como na maior parte do mundo.

Kâmia Madeira afirma que “ser mulher não é desafiador só em Angola, mas o é em toda a parte do mundo, pois existem ainda pressupostos muito antigos, no que diz respeito ao papel da mulher”, que é tida como a encarregada do lar e da educação dos filhos. Hoje, prosseguiu, “as mulheres querem estar nas posições de destaque, querem também ganhar da mesma forma que os homens, querem ter reconhecimento pela sua capacidade de trabalho”.

Ainda sobre as conquistas da mulher angolana, a actriz Edusa Chindecasse, por sua vez, afirma que a mulher já tem algum espaço de destaque na sociedade. “Conseguimos ver as mulheres com mais garra”, disse, referindo ainda que, embora muitas sejam submissas em algumas situações, devido à falta de preparação, há cada vez mais mulheres “guerreiras e que cultivam o conhecimento”, independentemente da classe social a que pertençam. A fonte é ainda de opinião que a discriminação é uma situação que precisa ser combatida, para o efeito, “a mulher tem que trabalhar nisso”.

De volta, Kâmia Madeira acrescenta que as mulheres querem uma sociedade cada vez mais igualitária. “Infelizmente, nesta nova legislatura angolana, houve uma redução do número de mulheres na Assembleia Nacional, o que é preocupante também. Nós devemos sempre olhar para o papel da mulher, empoderando-a. Deve cada vez mais permitir que ela ascenda e se coloque em posição igualitária a dos homens”, defendeu.

Por fim, a fonte confirmou que é sempre muito desafiante conciliar a carreira e a vida pessoal e familiar, mas é possível fazer sempre mais e melhor. “Não nos podem tentar encaixotar. As mulheres podem ser muito mais, contribuindo para a sociedade e não devem olhar-nos apenas como pessoas frágeis”.

Saiba mais sobre o que as mulheres angolanas pensam da emancipação feminina:

 
 
 

 

 

                       

 

Pedro Kididi

Jornalista

Licenciado em Gestão e Administração pela Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto, Félix Abias é um jornalista angolano que explora temas ligados à política e economia local. Actualmente trabalha para o Grupo Média Rumo

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