Caneta e Papel

Tomando as rédeas da própria vida e fazendo algo maior do que somos

Tomando as rédeas da própria vida e fazendo algo maior do que somos
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O valor do homem é determinado, em primeira linha, pelo grau e pelo sentido em que se libertou do seu ego.  Você já pensou no peso da sua vida? O quanto ela pesa em suas verdades, medidas, sentimentos, emoções?.. Ainda que esta vida a que me refiro aqui esteja inserida em uma sociedade que, dentro de uma perspectiva especial, pode ser considerada um organismo cheio de passividades infinitas, de imagens que nos levam às distrações mais profundas e, ao mesmo tempo superficiais, o paradoxo da vida surge e ressurge em processos curiosos.

Todas as noites, depois de me levantar para o meu sagrado “xixi”, volto e me sento na cama; fecho os olhos e em um processo meditativo tento deixar que as coisas passem... Sim, permitir-me limpar o que foi vivenciado naquele dia anterior. Este tipo de tempo que dedico a mim mesmo é o que me leva a perceber as quantas horas, momentos, instantes, gastos por inúteis resistências, sempre em luta interna entre uma parte e outra.

Hoje, cada vez mais, tenho a certeza de que não somos parte de um todo que confere a existência de outras pessoas como o mais importante; doarmo-nos para que o outro seja feliz; é importante, porém, mais que importante é que, também, sejamos felizes. Do contrário, jamais perceberíamos que as partes devem ser iguais e diferentes ao mesmo tempo; e é isso o que nos transforma, que nos faz perceber a importância da relação entre o “eu” e o todo.

Para Paulo Katchimina, “um nobre exemplo torna fáceis as acções difíceis”. Sim, no entanto, para que alturas conscienciais possam ser aproveitadas, sejam elas em níveis pessoais ou colectivos, a vida deve esvanecer para que possa renascer em diferentes posições; os encaixes devem ser constantemente alterados para que as experiências possam ser significativas. Ora, não é difícil percebermos que o mais inteligente e conveniente para a cultura mais ocidentalizada e, ao mesmo tempo, influenciada pela iconografia cristã, seria compreender e admitir as necessidades do próximo. Contudo, pergunto: como fazer isso sem se sentir?.. Sem ser você mesmo?

Concordo com Gandhi quando diz que “o ser humano tem muito mais desejos que necessidades”

Daí a importância de sentir o peso de sua vida, o quanto você pode carregar... As diferentes sentenças que enfrentamos todos os dias nos levam a estar presentes em um tipo de espaço onde “sentir o peso da vida” é a vivência de nossa verdadeira condição: “somos o centro do universo, embora não no sentido egoísta próprio de nossa experiência comum.” – diz um texto que li de um mestre zen. Logo, a vida me remete a paralelos que me fazem deslizar sobre as encostas de minhas premissas em cada instante; é o ponto onde a vida se faz presente e a nossa consciência egocêntrica comum se faz valer: gritar! Nem todos aguentam... O que, também, leva-me à constatação da importância da faxina mental; da limpeza que devemos realizar daquilo que nos incomoda; daquilo que nos faz ser cada vez menores, material e espiritualmente.

Concordo com Gandhi quando diz que “o ser humano tem muito mais desejos que necessidades”. Em uma interessante conversa com um amigo, tento explicar-lhe que a sua realidade voltada somente ao álcool não pode ser mais que um processo de autoilusão. Obviamente que dentro da liberdade de cada um podemos ser o que quisermos, mas as perdas já estavam sendo significativas para a sua história pessoal; havia perdido seu casamento, seus filhos – estavam com ordem de distanciamento do pai... E a vida, no que se refere à “autoperfeição” surge como factor de despertar, de ver o que nos está demasiado pesado.

Jogue fora o que não lhe serve mais; seja você em sua essência, não em um fundamento ditado pelas imagens ou pelas ilusões que nos arrastam às atmosferas artificiais. “Mil dias não bastam para aprender o bem; mas para aprender o mal, uma hora é de mais”. 

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Tchiweka Neto Jr

Jurista

O valor do homem é determinado, em primeira linha, pelo grau e pelo sentido em que se libertou do seu ego.  Você já pensou no peso da sua vida? O quanto ela pesa em suas verdades, medidas, sentimentos, emoções?.. Ainda que esta vida a que me refiro aqui esteja inserida em uma sociedade que, dentro de uma perspectiva especial, pode ser considerada um organismo cheio de passividades infinitas, de imagens que nos levam às distrações mais profundas e, ao mesmo tempo superficiais, o paradoxo da vida surge e ressurge em processos curiosos.

Todas as noites, depois de me levantar para o meu sagrado “xixi”, volto e me sento na cama; fecho os olhos e em um processo meditativo tento deixar que as coisas passem... Sim, permitir-me limpar o que foi vivenciado naquele dia anterior. Este tipo de tempo que dedico a mim mesmo é o que me leva a perceber as quantas horas, momentos, instantes, gastos por inúteis resistências, sempre em luta interna entre uma parte e outra.

Hoje, cada vez mais, tenho a certeza de que não somos parte de um todo que confere a existência de outras pessoas como o mais importante; doarmo-nos para que o outro seja feliz; é importante, porém, mais que importante é que, também, sejamos felizes. Do contrário, jamais perceberíamos que as partes devem ser iguais e diferentes ao mesmo tempo; e é isso o que nos transforma, que nos faz perceber a importância da relação entre o “eu” e o todo.

Para Paulo Katchimina, “um nobre exemplo torna fáceis as acções difíceis”. Sim, no entanto, para que alturas conscienciais possam ser aproveitadas, sejam elas em níveis pessoais ou colectivos, a vida deve esvanecer para que possa renascer em diferentes posições; os encaixes devem ser constantemente alterados para que as experiências possam ser significativas. Ora, não é difícil percebermos que o mais inteligente e conveniente para a cultura mais ocidentalizada e, ao mesmo tempo, influenciada pela iconografia cristã, seria compreender e admitir as necessidades do próximo. Contudo, pergunto: como fazer isso sem se sentir?.. Sem ser você mesmo?

Concordo com Gandhi quando diz que “o ser humano tem muito mais desejos que necessidades”

Daí a importância de sentir o peso de sua vida, o quanto você pode carregar... As diferentes sentenças que enfrentamos todos os dias nos levam a estar presentes em um tipo de espaço onde “sentir o peso da vida” é a vivência de nossa verdadeira condição: “somos o centro do universo, embora não no sentido egoísta próprio de nossa experiência comum.” – diz um texto que li de um mestre zen. Logo, a vida me remete a paralelos que me fazem deslizar sobre as encostas de minhas premissas em cada instante; é o ponto onde a vida se faz presente e a nossa consciência egocêntrica comum se faz valer: gritar! Nem todos aguentam... O que, também, leva-me à constatação da importância da faxina mental; da limpeza que devemos realizar daquilo que nos incomoda; daquilo que nos faz ser cada vez menores, material e espiritualmente.

Concordo com Gandhi quando diz que “o ser humano tem muito mais desejos que necessidades”. Em uma interessante conversa com um amigo, tento explicar-lhe que a sua realidade voltada somente ao álcool não pode ser mais que um processo de autoilusão. Obviamente que dentro da liberdade de cada um podemos ser o que quisermos, mas as perdas já estavam sendo significativas para a sua história pessoal; havia perdido seu casamento, seus filhos – estavam com ordem de distanciamento do pai... E a vida, no que se refere à “autoperfeição” surge como factor de despertar, de ver o que nos está demasiado pesado.

Jogue fora o que não lhe serve mais; seja você em sua essência, não em um fundamento ditado pelas imagens ou pelas ilusões que nos arrastam às atmosferas artificiais. “Mil dias não bastam para aprender o bem; mas para aprender o mal, uma hora é de mais”. 

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