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Sílvio Nascimento defende que ainda não se pode falar de um crescimento da indústria cinematográfica em Angola

Sílvio Nascimento defende que ainda não se pode falar de um crescimento da indústria cinematográfica em Angola
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O actor Sílvio Nascimento defende que não se pode falar ainda de um crescimento da indústria cinematográfica em Angola, porque “se tivermos de fazer comparações com outros países africanos, estamos muito atrás, no reinício da indústria, e por ser reinício, tratemo-lo por movimento cinematográfico em Angola e não indústria”.

Além disso, reforçou que “não há uma relação comparativa com outros mercados, porque somos um país que está a recomeçar a trabalhar com o cinema, com luta e determinação de muitos técnicos, mas não se pode fazer uma comparação com o mercado indiano ou qualquer outro. E tudo se deve às insuficiências que conhecemos”.

Em declarações à revista Economia & Mercado, sobre o mercado cinematográfico africano, o artista disse ainda que “afirmar que há uma indústria cinematográfica em Angola é falacioso, porque não se cresce sozinho e quem trabalha nisso são os envolvidos na matéria”, tendo lamentado que as outras partes que deveriam potencializar isso, principalmente a nível financeiro, olham para os fazedores, mas nada fazem.

O também vencedor do “Globo de Ouro Angola para Melhor Actor”, em 2018, destacou, além da falta de incentivo e investimento público, o facto de não haver uma responsabilização dos órgãos superiores a nível da Cultura, garantindo que o que está a ser feito é basicamente o cinema independente, onde se vêem instituições como a APROCIMA, que tem o propósito de incentivar e promover acções formativas. “Portanto, a conversa do cinema ainda não chegou aos órgãos do Estado, esse não trabalha nisso, mas há especialistas a tentar acordá-lo sobre a grande vantagem cultural e financeira que tem o cinema e o angolano, em particular”, acrescentou.

Para Sílvio Nascimento, com a pandemia, o cinema foi exactamente pelo mesmo caminho que a cultura, uma vez que os órgãos governamentais não trabalham a seu favor. “Com isso, as dificuldades no sector só aumentam, porque se gasta dinheiro, e quem deveria fazê-lo, cá, não o faz”, disse, acreditando, todavia, que plataformas como a Tellas - que o mesmo dirige - e a tChill, que comportam filmes africanos e maioritariamente angolanos, viram uma oportunidade de crescimento. Aliás, assegurou, os seus promotores trabalham para que tal aconteça.

Desde o nascimento da Tellas, há cinco anos, revela o gestor, produziram-se mais filmes do que nos últimos 10 anos. “Significa que estamos a permitir essa janela, para que as pessoas possam comercializar as suas obras e exibi-las com uma percentagem muito diferente dos preços que se praticam nos cinemas. Mais justa, no caso, em que o produtor deixa de ser mendigo e passa a ser um parceiro para o cinema”, asseverou.

O protagonista de “Falso Perfil” - que acredita que o cinema em Angola está a andar, mas sozinho - manifesta força de vontade para ressuscitar o cinema no país. “Estamos com inúmeros filmes, nos últimos cinco anos, já produzidos a nível nacional, sempre com as insuficiências habituais, porque é de produção independente, mas já se estão a fazer coisas muito boas, mesmo com muita falta de dinheiro e apoio, e a prova disso é que o cinema angolano já está a ser recebido na Europa e na América, porque as pessoas querem ver o que se passa em África, embora continue a ser uma vergonha para o Estado angolano e para o próprio povo saber que os filmes que saem de Angola não têm investimento público, mesmo com a Lei do Mecenato já aprovada”, lamentou.

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Andrade Lino

Jornalista

Estudante de Língua Portuguesa e Comunicação, amante de artes visuais, música e poesia.

O actor Sílvio Nascimento defende que não se pode falar ainda de um crescimento da indústria cinematográfica em Angola, porque “se tivermos de fazer comparações com outros países africanos, estamos muito atrás, no reinício da indústria, e por ser reinício, tratemo-lo por movimento cinematográfico em Angola e não indústria”.

Além disso, reforçou que “não há uma relação comparativa com outros mercados, porque somos um país que está a recomeçar a trabalhar com o cinema, com luta e determinação de muitos técnicos, mas não se pode fazer uma comparação com o mercado indiano ou qualquer outro. E tudo se deve às insuficiências que conhecemos”.

Em declarações à revista Economia & Mercado, sobre o mercado cinematográfico africano, o artista disse ainda que “afirmar que há uma indústria cinematográfica em Angola é falacioso, porque não se cresce sozinho e quem trabalha nisso são os envolvidos na matéria”, tendo lamentado que as outras partes que deveriam potencializar isso, principalmente a nível financeiro, olham para os fazedores, mas nada fazem.

O também vencedor do “Globo de Ouro Angola para Melhor Actor”, em 2018, destacou, além da falta de incentivo e investimento público, o facto de não haver uma responsabilização dos órgãos superiores a nível da Cultura, garantindo que o que está a ser feito é basicamente o cinema independente, onde se vêem instituições como a APROCIMA, que tem o propósito de incentivar e promover acções formativas. “Portanto, a conversa do cinema ainda não chegou aos órgãos do Estado, esse não trabalha nisso, mas há especialistas a tentar acordá-lo sobre a grande vantagem cultural e financeira que tem o cinema e o angolano, em particular”, acrescentou.

Para Sílvio Nascimento, com a pandemia, o cinema foi exactamente pelo mesmo caminho que a cultura, uma vez que os órgãos governamentais não trabalham a seu favor. “Com isso, as dificuldades no sector só aumentam, porque se gasta dinheiro, e quem deveria fazê-lo, cá, não o faz”, disse, acreditando, todavia, que plataformas como a Tellas - que o mesmo dirige - e a tChill, que comportam filmes africanos e maioritariamente angolanos, viram uma oportunidade de crescimento. Aliás, assegurou, os seus promotores trabalham para que tal aconteça.

Desde o nascimento da Tellas, há cinco anos, revela o gestor, produziram-se mais filmes do que nos últimos 10 anos. “Significa que estamos a permitir essa janela, para que as pessoas possam comercializar as suas obras e exibi-las com uma percentagem muito diferente dos preços que se praticam nos cinemas. Mais justa, no caso, em que o produtor deixa de ser mendigo e passa a ser um parceiro para o cinema”, asseverou.

O protagonista de “Falso Perfil” - que acredita que o cinema em Angola está a andar, mas sozinho - manifesta força de vontade para ressuscitar o cinema no país. “Estamos com inúmeros filmes, nos últimos cinco anos, já produzidos a nível nacional, sempre com as insuficiências habituais, porque é de produção independente, mas já se estão a fazer coisas muito boas, mesmo com muita falta de dinheiro e apoio, e a prova disso é que o cinema angolano já está a ser recebido na Europa e na América, porque as pessoas querem ver o que se passa em África, embora continue a ser uma vergonha para o Estado angolano e para o próprio povo saber que os filmes que saem de Angola não têm investimento público, mesmo com a Lei do Mecenato já aprovada”, lamentou.

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