Actualidade
Música

“O Rap angolano está muito adolescente e irresponsável”, afirmou Doutor Romeu

“O Rap angolano está muito adolescente e irresponsável”, afirmou Doutor Romeu
Foto por:
vídeo por:
Andrade Lino

O rapper angolano Doutor Romeu afirmou que “a nossa música Rap precisa crescer um pouco mais, pois está muito adolescente e irresponsável, embora se trate de “nova gente, novas tendências e devemos respeitar isso porque a arte não é padronizada”.

Entretanto, continuou, existe também o fator educação, “quem somos nós e o que nós representamos”, e referiu ainda que, actualmente, o Rap angolano está com um bom número, mas às vezes, quando o número cresce, peca-se um pouco na qualidade, não a qualidade sonora, mas a qualidade de composição, por exemplo, “que esta nova vaga traz”.

Em entrevista ao ONgoma News, o artista sublinhou que o que está em causa é um problema conjuntural, não apenas do Rap, mas “podemos até dizer que é um fenómeno mundial”.

“Devíamos, nós, os artistas, ser os fazedores dos nossos caminhos, ao invés de esperar que seja o público a fazê-lo, porque o público quer ouvir tudo. No fim do dia, somos nós que vamos arcar com as consequências. Muitas vezes até parece que não somos culpados por nada, mas sempre que influenciamos negativamente alguém, há uma quota à parte para nós, e devíamos reflectir em torno disso”, argumentou.

Para o autor de “Lapiseira Azul”, hoje em dia fazem falta as reuniões em torno do Rap, porque conversar causa sempre desenvolvimento. Segundo afirmou, pode ser que os mais novos façam as coisas como fazem apenas porque não conversam com os mais antigos. “Um indivíduo pode começar a fazer Rap porque viu o vizinho a fazer, é normal. Mas, agora, continuar como começou, aí está errado, sem antes procurar saber o que é isso que está a fazer, se quer mesmo e se vale a pena fazer. Depois desse estudo, o crescimento é inevitável”, disse.

Falando por ocasião da Bienal de Luanda, onde actuou, Doutor Romeu defendeu que não se depende do panorama político para fazer música consciente, sendo que, “há alguns anos, quando o país estava supostamente muito mais fechado para o diálogo, houve mais músicas interventivas, e hoje, que se diz o país estar mais aberto politicamente, faz-se menos músicas do género”.

Na sua óptica, isso “tem um pouco a ver com a força da media e a própria juventude que foi forçada a agir como age”, pois vê a juventude como vítima na situação, “porque foi nos dada uma educação de nos mantermos calados”.

O artista afirmou, no entanto, que os projectos educacionais muitas vezes são barrados, mas “temos aos milhões festas e projectos fúteis para alienar a sociedade”.

Ademais, sublinhou que a música é uma conversa, “aquela que sai do nosso íntimo mais profundo e vai até aos confins do universo, pois não há limites para a música”.

Toda vez que é abordado um assunto de interesse comum numa música, esclareceu, o impacto pode ser maior do que uma palestra, uma aula dada ou um discurso político. E assim, neste momento, acredita que o contributo da música seria mesmo de conversar mais.

6galeria

Andrade Lino

Jornalista

Estudante de Língua Portuguesa e Comunicação, amante de artes visuais, música e poesia.

O rapper angolano Doutor Romeu afirmou que “a nossa música Rap precisa crescer um pouco mais, pois está muito adolescente e irresponsável, embora se trate de “nova gente, novas tendências e devemos respeitar isso porque a arte não é padronizada”.

Entretanto, continuou, existe também o fator educação, “quem somos nós e o que nós representamos”, e referiu ainda que, actualmente, o Rap angolano está com um bom número, mas às vezes, quando o número cresce, peca-se um pouco na qualidade, não a qualidade sonora, mas a qualidade de composição, por exemplo, “que esta nova vaga traz”.

Em entrevista ao ONgoma News, o artista sublinhou que o que está em causa é um problema conjuntural, não apenas do Rap, mas “podemos até dizer que é um fenómeno mundial”.

“Devíamos, nós, os artistas, ser os fazedores dos nossos caminhos, ao invés de esperar que seja o público a fazê-lo, porque o público quer ouvir tudo. No fim do dia, somos nós que vamos arcar com as consequências. Muitas vezes até parece que não somos culpados por nada, mas sempre que influenciamos negativamente alguém, há uma quota à parte para nós, e devíamos reflectir em torno disso”, argumentou.

Para o autor de “Lapiseira Azul”, hoje em dia fazem falta as reuniões em torno do Rap, porque conversar causa sempre desenvolvimento. Segundo afirmou, pode ser que os mais novos façam as coisas como fazem apenas porque não conversam com os mais antigos. “Um indivíduo pode começar a fazer Rap porque viu o vizinho a fazer, é normal. Mas, agora, continuar como começou, aí está errado, sem antes procurar saber o que é isso que está a fazer, se quer mesmo e se vale a pena fazer. Depois desse estudo, o crescimento é inevitável”, disse.

Falando por ocasião da Bienal de Luanda, onde actuou, Doutor Romeu defendeu que não se depende do panorama político para fazer música consciente, sendo que, “há alguns anos, quando o país estava supostamente muito mais fechado para o diálogo, houve mais músicas interventivas, e hoje, que se diz o país estar mais aberto politicamente, faz-se menos músicas do género”.

Na sua óptica, isso “tem um pouco a ver com a força da media e a própria juventude que foi forçada a agir como age”, pois vê a juventude como vítima na situação, “porque foi nos dada uma educação de nos mantermos calados”.

O artista afirmou, no entanto, que os projectos educacionais muitas vezes são barrados, mas “temos aos milhões festas e projectos fúteis para alienar a sociedade”.

Ademais, sublinhou que a música é uma conversa, “aquela que sai do nosso íntimo mais profundo e vai até aos confins do universo, pois não há limites para a música”.

Toda vez que é abordado um assunto de interesse comum numa música, esclareceu, o impacto pode ser maior do que uma palestra, uma aula dada ou um discurso político. E assim, neste momento, acredita que o contributo da música seria mesmo de conversar mais.

6galeria

Artigos relacionados

Thank you! Your submission has been received!
Oops! Something went wrong while submitting the form