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O olhar do historiador Filipe Vidal sobre o estudo das línguas nacionais após a independência

O olhar do historiador Filipe Vidal sobre o estudo das línguas nacionais após a independência
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Andrade Lino

O historiador Filipe Vidal afirma que depois de 40 anos de independência ainda não se fez um estudo aprofundado sobre as línguas nacionais, e “essa apreciação pode se fazer de dentro para fora e de fora para dentro”.

“Num olhar de fora para dentro, primeiro é recebemos a independência com muito sacrifício, muito sangue, e por isso não tivemos tempo de pensar numa independência cultural, embora o doutor António Agostinho Neto tenha falado sobre isso nos seus  poemas, Holden Roberto tenha tocado no asssunto e Jonas Savimbi tenha se debruçado ao renascimento africano através da independência”, considera o também antropólogo, que continuou que “essa questão foi posta à parte porque a nossa independência foi planeada para falhar nesse sentido, porque todas as instituições culturais foram quebradas totalmente, e como não havia uma super estrutura que garantisse a nossa independência cultural, não tivemos tempo para pensar nisso”.

“E vai ver que só estudamos até a 4ª classe. O general português Norton de Matos vem para Angola, e deveríamos investigar sobre essa figura, desestruturou o país culturalmente na totalidade. É preciso olharmos para o mau trabalho que fez aqui com a fundação na Nova Lisboa, porque a intenção foi trazer Portugal, na perspectiva de criar um colmeia portuguesa que se disseminasse cá. Então, as nossas elites não era ensinadas, nem nas igrejas, que era um pouco o campo onde os africanos mergulhavam, nem nas suas próprias estruturas porque não havia e assim fosse possível pensar na independência”, explicou Filipe Vidal.

Entretanto, num olhar de dentro para fora, o ainda convidado para a 3ª edição dos Diálogos Culturais, realizado no mês passado, ocasião pela qual falou ao ONgoma News, nota-se que “algumas elites africanas ficaram distraídas, por conta de tentarem se assemelhar àqueles que as colonizaram, tornarem-se iguais, e nós, os angolanos, tivemos ainda, entre aspas, um azar grande, porque chegou o momento em que deveríamos falar sobre nós, tivemos uma guerra civil, que também nos foi imposta.”

O historiador afirma que não se pode dizer que o Estado não fez nada, porque se faz alguma coisa, “embora tímida, porém importa fazer mais”.

“O facto de o Estado não promover rigorosamente o estudo das línguas nacionais não é algo que eu considere má fé porque ninguém se faz mal a si mesmo. Nós, os africanos, por natureza, não somos sadomasoquistas. Vou dizer que foi distracção, porque pensamos que a independência é economia, quando é cultura. Pensamos numa independência material, em vez de espiritual”, finalizou.

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Andrade Lino

Jornalista

Estudante de Língua Portuguesa e Comunicação, amante de artes visuais, música e poesia.

O historiador Filipe Vidal afirma que depois de 40 anos de independência ainda não se fez um estudo aprofundado sobre as línguas nacionais, e “essa apreciação pode se fazer de dentro para fora e de fora para dentro”.

“Num olhar de fora para dentro, primeiro é recebemos a independência com muito sacrifício, muito sangue, e por isso não tivemos tempo de pensar numa independência cultural, embora o doutor António Agostinho Neto tenha falado sobre isso nos seus  poemas, Holden Roberto tenha tocado no asssunto e Jonas Savimbi tenha se debruçado ao renascimento africano através da independência”, considera o também antropólogo, que continuou que “essa questão foi posta à parte porque a nossa independência foi planeada para falhar nesse sentido, porque todas as instituições culturais foram quebradas totalmente, e como não havia uma super estrutura que garantisse a nossa independência cultural, não tivemos tempo para pensar nisso”.

“E vai ver que só estudamos até a 4ª classe. O general português Norton de Matos vem para Angola, e deveríamos investigar sobre essa figura, desestruturou o país culturalmente na totalidade. É preciso olharmos para o mau trabalho que fez aqui com a fundação na Nova Lisboa, porque a intenção foi trazer Portugal, na perspectiva de criar um colmeia portuguesa que se disseminasse cá. Então, as nossas elites não era ensinadas, nem nas igrejas, que era um pouco o campo onde os africanos mergulhavam, nem nas suas próprias estruturas porque não havia e assim fosse possível pensar na independência”, explicou Filipe Vidal.

Entretanto, num olhar de dentro para fora, o ainda convidado para a 3ª edição dos Diálogos Culturais, realizado no mês passado, ocasião pela qual falou ao ONgoma News, nota-se que “algumas elites africanas ficaram distraídas, por conta de tentarem se assemelhar àqueles que as colonizaram, tornarem-se iguais, e nós, os angolanos, tivemos ainda, entre aspas, um azar grande, porque chegou o momento em que deveríamos falar sobre nós, tivemos uma guerra civil, que também nos foi imposta.”

O historiador afirma que não se pode dizer que o Estado não fez nada, porque se faz alguma coisa, “embora tímida, porém importa fazer mais”.

“O facto de o Estado não promover rigorosamente o estudo das línguas nacionais não é algo que eu considere má fé porque ninguém se faz mal a si mesmo. Nós, os africanos, por natureza, não somos sadomasoquistas. Vou dizer que foi distracção, porque pensamos que a independência é economia, quando é cultura. Pensamos numa independência material, em vez de espiritual”, finalizou.

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