Caneta e Papel
Crónica

O kuduro que amamos veio para ficar!

O kuduro que amamos veio para ficar!
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Vi o nascimento do Kuduro nos anos 90 do século XX.  Tony Amado e a sua turma de dançarinos moldavam as primeiras acrobacias ao ritmo aliciante de uma batida musical simples. E veio o Sebem trazer Felicidade, profetizando uma verdade necessária naquela época e muito mais agora. 

Depois disso perdeu um toque da sua graça e a originalidade pura que lhe caracterizava. Quando todos chamavam de música eu recusei-me e apelidava de “animação”. Reconheço as dezenas de tentativas que surgiram para dar-lhe estatuto no seio das artes. Foi difícil e por vezes um tanto quanto louco, aliás, muitas vezes eram assim indicados os atrevidos cantores e dançarinos. O seu ainda engatinhar permitia o custoso e necessário errar de letras e batidas quase sem sentido.

Foi então importante ter o Boss a anunciar que o angolano inventa graças à fome, pois essa fome obrigou a presença da intelectualidade com letras bem pensadas e com mensagens bem mais construtivas e influenciadoras, como tiveram os sons do convincente e arrojado Murras e mais tarde o outro M, o Bruno, por exemplo. Respeito.

Foi aos poucos, cuidadosamente a procurar o caminho para a minha redenção. Recordo como algumas mulheres deram uma pincelada com o seu brilho e sensibilidade agressiva, como a Fofandó, a saudosa Lixa e a insubstituível Noite e Dia, ou ainda a Zuda que sensualmente reafirmou as palavras do Ângelo. 

Entretanto, uma rivalidade reinou entre um talentoso Puto Doutorado das ruas do Rangel e populares demônios do Sambizanga (águas passadas, hoje estabeleceram tréguas!). Mais recentemente uma Power House deu voz, cor, mais qualidade a um sem número de gênios artísticos inovadores, como  foi com o inocente e talentoso Snoop que arrebatou um prémio africano com o som arranjado pelo Ibrahim.

De lá para cá, não houve azul e branco, rabo de pato ou galinha rija que não oferecesse uma discoteca de kuduros famosos e outros menos conhecidos. Verdadeiras obras de arte montadas por mentes dedicadas e geniais, em pequenos estúdios improvisados ou noutros mais elaborados.

Hoje, deambulando pelas ruas europeias, lá está de mãos dadas com a  Kizomba, ah, a nossa Kizomba. Festivais, escolas, concursos ou simplesmente a manifestação pública ecoando da janela de estudantes a altas horas da noite, e dos rumores nas Américas do Sul e Central que conduziram uma versão meio esquisita a um filme de Hollywood no Norte. O Kuduro é já internacional e de presença obrigatória.

Por Luanda, consegue igualmente impor-se. Participa da vida dos artistas renomados dando uma agressividade pacífica a melodias intemporais. Agita as festas de bairro e descalça os saltos nos casórios mais finos. Na verdade já é presença indispensável em muitos ambientes.

O meu respeito, a minha vénia foi-se moldando indubitavelmente, e hoje, pelo seu peso positivo na propagação do nome do meu País que amo, por ocupar o tempo dos jovens e até mesmo afastá-los da criminalidade e ociosidade, por gritar em nome das mentes mais criativas, amo-o ainda mais. Por proporcionar alegria, emoção e até mesmo unir pessoas separadas por “coisinhas” estúpidas, tenho mesmo de o amar. Por oferecer solidariedade como desafio social, também O amo. Por contribuir para a saúde e bem-estar de quem dança e de quem tenta dançar, aí sim amo!

No futuro, quando os meus rebentos quiserem saber dele, poderei orgulhosamente contar partes da sua história e até mesmo cantar umas e outras rimas. Só espero que não me peçam para dançar, essa exímia tarefa deixo para outros verdadeiros kuduristas!

Outros sonhadores, génios, fazedores da nossa arte, preenchem o livro histórico do kuduro. Alguns partiram mais cedo, outros ainda nem nasceram, somente para afirmar e reafirmar a sua presença. Finalmente, o Kuduro que vimos nascer, crescer e aprendemos a amar, veio para ficar!

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Edilson Buchartts

Cronista

Vi o nascimento do Kuduro nos anos 90 do século XX.  Tony Amado e a sua turma de dançarinos moldavam as primeiras acrobacias ao ritmo aliciante de uma batida musical simples. E veio o Sebem trazer Felicidade, profetizando uma verdade necessária naquela época e muito mais agora. 

Depois disso perdeu um toque da sua graça e a originalidade pura que lhe caracterizava. Quando todos chamavam de música eu recusei-me e apelidava de “animação”. Reconheço as dezenas de tentativas que surgiram para dar-lhe estatuto no seio das artes. Foi difícil e por vezes um tanto quanto louco, aliás, muitas vezes eram assim indicados os atrevidos cantores e dançarinos. O seu ainda engatinhar permitia o custoso e necessário errar de letras e batidas quase sem sentido.

Foi então importante ter o Boss a anunciar que o angolano inventa graças à fome, pois essa fome obrigou a presença da intelectualidade com letras bem pensadas e com mensagens bem mais construtivas e influenciadoras, como tiveram os sons do convincente e arrojado Murras e mais tarde o outro M, o Bruno, por exemplo. Respeito.

Foi aos poucos, cuidadosamente a procurar o caminho para a minha redenção. Recordo como algumas mulheres deram uma pincelada com o seu brilho e sensibilidade agressiva, como a Fofandó, a saudosa Lixa e a insubstituível Noite e Dia, ou ainda a Zuda que sensualmente reafirmou as palavras do Ângelo. 

Entretanto, uma rivalidade reinou entre um talentoso Puto Doutorado das ruas do Rangel e populares demônios do Sambizanga (águas passadas, hoje estabeleceram tréguas!). Mais recentemente uma Power House deu voz, cor, mais qualidade a um sem número de gênios artísticos inovadores, como  foi com o inocente e talentoso Snoop que arrebatou um prémio africano com o som arranjado pelo Ibrahim.

De lá para cá, não houve azul e branco, rabo de pato ou galinha rija que não oferecesse uma discoteca de kuduros famosos e outros menos conhecidos. Verdadeiras obras de arte montadas por mentes dedicadas e geniais, em pequenos estúdios improvisados ou noutros mais elaborados.

Hoje, deambulando pelas ruas europeias, lá está de mãos dadas com a  Kizomba, ah, a nossa Kizomba. Festivais, escolas, concursos ou simplesmente a manifestação pública ecoando da janela de estudantes a altas horas da noite, e dos rumores nas Américas do Sul e Central que conduziram uma versão meio esquisita a um filme de Hollywood no Norte. O Kuduro é já internacional e de presença obrigatória.

Por Luanda, consegue igualmente impor-se. Participa da vida dos artistas renomados dando uma agressividade pacífica a melodias intemporais. Agita as festas de bairro e descalça os saltos nos casórios mais finos. Na verdade já é presença indispensável em muitos ambientes.

O meu respeito, a minha vénia foi-se moldando indubitavelmente, e hoje, pelo seu peso positivo na propagação do nome do meu País que amo, por ocupar o tempo dos jovens e até mesmo afastá-los da criminalidade e ociosidade, por gritar em nome das mentes mais criativas, amo-o ainda mais. Por proporcionar alegria, emoção e até mesmo unir pessoas separadas por “coisinhas” estúpidas, tenho mesmo de o amar. Por oferecer solidariedade como desafio social, também O amo. Por contribuir para a saúde e bem-estar de quem dança e de quem tenta dançar, aí sim amo!

No futuro, quando os meus rebentos quiserem saber dele, poderei orgulhosamente contar partes da sua história e até mesmo cantar umas e outras rimas. Só espero que não me peçam para dançar, essa exímia tarefa deixo para outros verdadeiros kuduristas!

Outros sonhadores, génios, fazedores da nossa arte, preenchem o livro histórico do kuduro. Alguns partiram mais cedo, outros ainda nem nasceram, somente para afirmar e reafirmar a sua presença. Finalmente, o Kuduro que vimos nascer, crescer e aprendemos a amar, veio para ficar!

Edilson Buchartts

Cronista

Licenciado em Gestão e Administração pela Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto, Félix Abias é um jornalista angolano que explora temas ligados à política e economia local. Actualmente trabalha para o Grupo Média Rumo

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