Showbiz
Perfil

“O Jovem que não lê é cego”, afirma Miguel Neto

“O Jovem que não lê é cego”, afirma Miguel Neto
Foto por:
vídeo por:
Andrade Lino

O jornalista Miguel Neto afirma que o jovem que não lê é cego, e o mais-velho que não escreve nem transmite conhecimento à nova geração é surdo.

Em entrevista ao ONgoma, Miguel Neto, que já tem dois livros publicados, afirmou que, actualmente, havendo necessidade  de se saber o que aconteceu no passado, “se os mais velhos não transmitirem nada no papel, fica difícil, e se os jovens não lerem, é complicado”.

“Eu estou preocupado com o futuro de Angola. Já foi preocupante, no passado, o facto de muita gente não ter tido acesso à educação por causa da opressão colonial, mas nós que vivemos uma vida relativamente diferente, podemos claramente começar a ganhar gosto pela leitura, porque se não o fizermos, daqui para frente continuaremos cegos e o país não vai ter norte”,  argumentou.

Para a fonte, caso não haja uma mudança de atitude, “daqui a 100 anos ninguém vai saber quem eram as pessoas a viver aqui, o é triste. Eu sinto-me regozijado porque depois da minha transcendência eu vou ser visto ainda, alguém vai saber que eu estive aqui através daquilo que escrevi e vai conhecer o meu pensamento, pois é importante saber o pensamento do angolano através do que se escreve”, argumentou.

“Eu gostava de desenhar e escrever legendas. Lia muito e, por curiosidade, quase tudo que via, sendo que também fui levado pelos mais velhos a cultivar esses hábitos."

O radialista conta que, nos seus primeiros estágios no universo da comunicação social, a sua inclinação para escrita e a aceitação que os textos foram tendo serviram de grandes impulsionadores para a sua actividade literária.

“Eu gostava de desenhar e escrever legendas. Lia muito e, por curiosidade, quase tudo que via, sendo que também fui levado pelos mais velhos a cultivar esses hábitos. O que aconteceu é que, quando mais novo, entre os 14 e os 18 anos de idade, eu gostava de ouvir rádio e testar a minha voz. Com base nisso, mais tarde, aos 21 anos de idade, fiz um teste para ser técnico sonoplasta na Rádio Nacional de Angola. Saí depois de algum tempo, mas voltei em 1988 como locutor. Em 1989 fui para a Rádio Cidade, que é hoje a Rádio Luanda, onde fiquei até fazer outros programas como ‘Cocktail Musical’ e ‘Ponto de Encontro’,  na Rádio Luanda e na Rádio Nacional de Angola.  Mas fui praticamente forçado a aceitar esse último trabalho por causa da maneira de lidar com a comunicação. Cheguei a escrever um texto que foi muito bem elogiado e a partir daí deram-me a possibilidade de continuar a escrever. Dediquei-me, depois fui fazendo crónicas, que eram publicadas no jornal A Capital, até que ficou uma coisa ainda mais séria, por causa do impulso que tive ao ter testemunhado a cerimónia fúnebre de Michael Jackson”, descreveu.

Miguel Neto lançou o seu primeiro livro em 2009, intitulado “A Sarrabulhada de Miguel Neto”, que, com poucas páginas, traz três crónicas publicadas no jornal “A Capital”, textos estes que abordam assuntos do quotidiano do país, em particular de Luanda.

Em 2011, o jornalista, que durante 12 anos apresentou o programa de entretenimento televisivo “Explosão Musical”, lança um DVD intitulado “De África para América”, que traz um vídeo de 1 hora e 48 minutos, contando a história da sua saída de Luanda para Los Angeles, no período do passamento físico de Michael Jackson. “Senti-me obrigado a seguir viagem, apesar da  falta de apoio. Foi doloroso, mas  valeu a pena. Fiz 18 horas de imagem e retirei uma hora e 48 minutos para o vídeo”, declarou.

Já em 2014 publica o livro “Relatos da Minha Trajectória”, uma longa narrativa sobre a sua vida na comunicação social, onde fala sobre os seus feitos na área, como cresceu e quem ouvia, basicamente uma explicação sobre os momentos que passou e os encontros que teve, quer em Luanda, quer no exterior. “Falei com muitos artistas na América,  dentre eles o Usher, no seu aniversário de 25 anos, RZA e Will I Am, Treach, do grupo de Rap N´aughty by Nature’, e foram momentos únicos conhecer guetos famosos como o Compton e ir até aos lugares onde faleceram Tupac e BIG. Cá em Angola, tive a oportunidade de interagir com Fat Joe, Sisqo, Busta Rhymes, Wyclef Jean, The Game, entre outros. Ademais, gostei de ter conversado com o Pelé, fi-lo pela televisão, e o encontro com 50 Cent cá em Angola foi outra coisa marcante”, revelou.

Para Miguel Neto, o livro representou um percurso que foi galgando até chegar a ser aquilo que é hoje. “Eu venho de uma época em que só havia Hip-Hop americano, sendo que só depois é que começaram a aparecer aqui em Angola alguns MCs e DJs a tentarem posicionar-se, isso em 1993, quando já fazia o programa RC. Então, de qualquer maneira, isso serviu para sustentar a minha personalidade dentro da comunicação social e ser um pilar ligado ao Hip-Hop nacional, porque vi crescer tudo”, partilhou.

Apresentei o ‘Alto Nível’ durante 5 anos. A ideia do programa surgiu quando a televisão quis que eu terminasse o ‘Explosão Musical’, que por sua vez nasceu na década de 90 como ‘Explosão Internacional’.

Depois de uma década a apresentar o “Explosão Musical”, programa que se dedicava à partilha de vídeos musicais ligados ao Hip-Hop, Miguel Neto conta que recebe uma proposta da televisão para mudar o painel do programa, tendo vindo a ser então o “Alto Nível”. “Apresentei o ‘Alto Nível’ durante 5 anos. A ideia do programa surgiu quando a televisão quis que eu terminasse o ‘Explosão Musical’, que por sua vez nasceu na década de 90 como ‘Explosão Internacional’. Em suma, a TPA agraciou-me com outro espaço, mais à minha maneira, porque acreditavam que aquilo já tinha muito tempo. Essa troca afectou muita gente, numa altura em  que já estava até em canais internacionais como a MTV, mas entendi também que aquilo já tinha tempo suficiente, sendo que só se tratava apenas de videoclips. Vi-o então como uma chance de dar um pouco mais de mim e foi o que aconteceu: ficar à frente das imagens, ver de facto os artistas fazedores do tipo de música que eu passava em vídeo”, justificou.

Com 24 anos de programa RC na Luanda Antena Comercial (LAC), por fim, o jornalista radiofónico revelou que o programa que apresentou durante 5 anos na Rádio Nacional de Angola “Ponto de Encontro” volta a estar no ar em Julho.

“Eu venho de uma época em que só havia Hip-Hop americano, sendo que só depois é que começaram a aparecer aqui em Angola alguns MCs e DJs a tentarem posicionar-se, isso em 1993, quando já fazia o programa RC. 

6galeria

Andrade Lino

Jornalista

Estudante de Língua Portuguesa e Comunicação, amante de artes visuais, música e poesia.

O jornalista Miguel Neto afirma que o jovem que não lê é cego, e o mais-velho que não escreve nem transmite conhecimento à nova geração é surdo.

Em entrevista ao ONgoma, Miguel Neto, que já tem dois livros publicados, afirmou que, actualmente, havendo necessidade  de se saber o que aconteceu no passado, “se os mais velhos não transmitirem nada no papel, fica difícil, e se os jovens não lerem, é complicado”.

“Eu estou preocupado com o futuro de Angola. Já foi preocupante, no passado, o facto de muita gente não ter tido acesso à educação por causa da opressão colonial, mas nós que vivemos uma vida relativamente diferente, podemos claramente começar a ganhar gosto pela leitura, porque se não o fizermos, daqui para frente continuaremos cegos e o país não vai ter norte”,  argumentou.

Para a fonte, caso não haja uma mudança de atitude, “daqui a 100 anos ninguém vai saber quem eram as pessoas a viver aqui, o é triste. Eu sinto-me regozijado porque depois da minha transcendência eu vou ser visto ainda, alguém vai saber que eu estive aqui através daquilo que escrevi e vai conhecer o meu pensamento, pois é importante saber o pensamento do angolano através do que se escreve”, argumentou.

“Eu gostava de desenhar e escrever legendas. Lia muito e, por curiosidade, quase tudo que via, sendo que também fui levado pelos mais velhos a cultivar esses hábitos."

O radialista conta que, nos seus primeiros estágios no universo da comunicação social, a sua inclinação para escrita e a aceitação que os textos foram tendo serviram de grandes impulsionadores para a sua actividade literária.

“Eu gostava de desenhar e escrever legendas. Lia muito e, por curiosidade, quase tudo que via, sendo que também fui levado pelos mais velhos a cultivar esses hábitos. O que aconteceu é que, quando mais novo, entre os 14 e os 18 anos de idade, eu gostava de ouvir rádio e testar a minha voz. Com base nisso, mais tarde, aos 21 anos de idade, fiz um teste para ser técnico sonoplasta na Rádio Nacional de Angola. Saí depois de algum tempo, mas voltei em 1988 como locutor. Em 1989 fui para a Rádio Cidade, que é hoje a Rádio Luanda, onde fiquei até fazer outros programas como ‘Cocktail Musical’ e ‘Ponto de Encontro’,  na Rádio Luanda e na Rádio Nacional de Angola.  Mas fui praticamente forçado a aceitar esse último trabalho por causa da maneira de lidar com a comunicação. Cheguei a escrever um texto que foi muito bem elogiado e a partir daí deram-me a possibilidade de continuar a escrever. Dediquei-me, depois fui fazendo crónicas, que eram publicadas no jornal A Capital, até que ficou uma coisa ainda mais séria, por causa do impulso que tive ao ter testemunhado a cerimónia fúnebre de Michael Jackson”, descreveu.

Miguel Neto lançou o seu primeiro livro em 2009, intitulado “A Sarrabulhada de Miguel Neto”, que, com poucas páginas, traz três crónicas publicadas no jornal “A Capital”, textos estes que abordam assuntos do quotidiano do país, em particular de Luanda.

Em 2011, o jornalista, que durante 12 anos apresentou o programa de entretenimento televisivo “Explosão Musical”, lança um DVD intitulado “De África para América”, que traz um vídeo de 1 hora e 48 minutos, contando a história da sua saída de Luanda para Los Angeles, no período do passamento físico de Michael Jackson. “Senti-me obrigado a seguir viagem, apesar da  falta de apoio. Foi doloroso, mas  valeu a pena. Fiz 18 horas de imagem e retirei uma hora e 48 minutos para o vídeo”, declarou.

Já em 2014 publica o livro “Relatos da Minha Trajectória”, uma longa narrativa sobre a sua vida na comunicação social, onde fala sobre os seus feitos na área, como cresceu e quem ouvia, basicamente uma explicação sobre os momentos que passou e os encontros que teve, quer em Luanda, quer no exterior. “Falei com muitos artistas na América,  dentre eles o Usher, no seu aniversário de 25 anos, RZA e Will I Am, Treach, do grupo de Rap N´aughty by Nature’, e foram momentos únicos conhecer guetos famosos como o Compton e ir até aos lugares onde faleceram Tupac e BIG. Cá em Angola, tive a oportunidade de interagir com Fat Joe, Sisqo, Busta Rhymes, Wyclef Jean, The Game, entre outros. Ademais, gostei de ter conversado com o Pelé, fi-lo pela televisão, e o encontro com 50 Cent cá em Angola foi outra coisa marcante”, revelou.

Para Miguel Neto, o livro representou um percurso que foi galgando até chegar a ser aquilo que é hoje. “Eu venho de uma época em que só havia Hip-Hop americano, sendo que só depois é que começaram a aparecer aqui em Angola alguns MCs e DJs a tentarem posicionar-se, isso em 1993, quando já fazia o programa RC. Então, de qualquer maneira, isso serviu para sustentar a minha personalidade dentro da comunicação social e ser um pilar ligado ao Hip-Hop nacional, porque vi crescer tudo”, partilhou.

Apresentei o ‘Alto Nível’ durante 5 anos. A ideia do programa surgiu quando a televisão quis que eu terminasse o ‘Explosão Musical’, que por sua vez nasceu na década de 90 como ‘Explosão Internacional’.

Depois de uma década a apresentar o “Explosão Musical”, programa que se dedicava à partilha de vídeos musicais ligados ao Hip-Hop, Miguel Neto conta que recebe uma proposta da televisão para mudar o painel do programa, tendo vindo a ser então o “Alto Nível”. “Apresentei o ‘Alto Nível’ durante 5 anos. A ideia do programa surgiu quando a televisão quis que eu terminasse o ‘Explosão Musical’, que por sua vez nasceu na década de 90 como ‘Explosão Internacional’. Em suma, a TPA agraciou-me com outro espaço, mais à minha maneira, porque acreditavam que aquilo já tinha muito tempo. Essa troca afectou muita gente, numa altura em  que já estava até em canais internacionais como a MTV, mas entendi também que aquilo já tinha tempo suficiente, sendo que só se tratava apenas de videoclips. Vi-o então como uma chance de dar um pouco mais de mim e foi o que aconteceu: ficar à frente das imagens, ver de facto os artistas fazedores do tipo de música que eu passava em vídeo”, justificou.

Com 24 anos de programa RC na Luanda Antena Comercial (LAC), por fim, o jornalista radiofónico revelou que o programa que apresentou durante 5 anos na Rádio Nacional de Angola “Ponto de Encontro” volta a estar no ar em Julho.

“Eu venho de uma época em que só havia Hip-Hop americano, sendo que só depois é que começaram a aparecer aqui em Angola alguns MCs e DJs a tentarem posicionar-se, isso em 1993, quando já fazia o programa RC. 

6galeria

Artigos relacionados

Thank you! Your submission has been received!
Oops! Something went wrong while submitting the form