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“O humor é uma faca de dois gumes”, considera Cesalty Paulo

“O humor é uma faca de dois gumes”, considera Cesalty Paulo
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Andrade Lino

O humorista angolano Cesalty Paulo considera que “o humor é uma faca de dois gumes, é difícil de fazer, e não apenas em tempos de crise”.

O integrante dos Tuneza, que falava por ocasião da segunda sessão de vendas e autógrafos do primeiro livro do grupo “Humor não é só fazer rir”, acrescentou que “nós, os africanos, temos uma forma diferente de ver a nossa própria sociedade”, o que para torna difícil fazer humor, na visão do quinteto, e relativamente a essa questão, o mesmo entendeu privar-se de falar de política e de outros assuntos “pouco benéficos”.

“Ninguém nos apontou uma arma, nós mesmos achamos que temos muito conteúdo sobre aquilo que é a nossa vivência, para nos privarmos de certas coisas, porque há que se perceber até que ponto pode-se ser invasivo, se o que estamos a falar afecta alguém, se machuca ou não, mesmo que ainda tenha graça. E não se fala aqui apenas de política, há também a religião e o desporto, que são elementos de debate muito contundentes”, explicou Cesalty, em entrevista ao ONgoma News.

Adiante, clareou que a questão não é evitar atingir personalidades. “Os Tuneza fazem muita coisa que acaba por ser viral, e temos em mente que o país precisa de nós nesse momento para ser engrandecido, não para ser destruído, pois há coisas que mal ditas acabam por influenciar negativamente as pessoas. Logo, se tivermos de falar algo, é na posição de ajudar a melhorar uma situação que corre mal. Imagine ter 4.000.000 de visualizações num post no Facebook, de pessoas a interceder por aquilo que estás a falar. É preciso ter respeito pelo país e noção do que se tenta incutir nas cabeças das pessoas”, argumentou.

O humorista, que se destaca cada vez mais por causa da personagem “Tia Bolinha”, na série televisiva “No cubico dos Tunezas”, observou, por outro lado, que “muitas vezes nos queixamos de factores extras para não lutarmos”.

“É muito fácil nos queixarmos do Governo, do país, dos pais, e nos esquecemos de olharmos para nós mesmos. Por exemplo, Os Tunezas vieram de situações sociais diferentes, todas elas muito pobres, mas conseguimos, crendo, concluir os estudos, tornar-nos num grupo de sucesso nacional e internacional, somamos feitos positivos: fomos o primeiro grupo a fazer um espectáculo para mais de 5000 pessoas, o primeiro a lançar um CD, depois um DVD, agora um livro, temos outros sonhos, como fazer um filme, e estamos ainda na luta”, citou, tendo sublinhado que  “não é fácil, há momentos em que a vontade de desistir é tanta, mas é possível”.

Além disso, precisou que o “não” sempre está explanado, necessário é mostrar às pessoas o lado positivo daquilo que é a vontade. “Claro que já recebemos “não”, como muitos outros artistas, mas fizemos com que essas instituições que nos negaram se tornassem naquelas que um dia viessem à nossa procura, porque muitas vezes o “não” é um incentivo para que a pessoa continue a trabalhar”, afirmou.

Disse ainda que ao longo da carreira “a pessoa é privada de muitas coisas: festas de família, não tem até a oportunidade de estar presente no nascimento dum filho, tudo por sacrifício, porque às vezes a fama não é sinónimo daquilo que é a situação financeira do indivíduo”.

“Você passa por grandes dificuldades, mas as pessoas lá fora todas querem fazer fotografia contigo. É preciso contornar essa situação e fazer as pessoas perceber que é uma luta constante. À medida que vamos atingindo patamares percebemos que podemos ajudar outros jovens, sendo que há sonhos que precisam ser realizados, porque todos viemos também de condições lamentáveis, convivemos com pessoas que fumam, bebem e tentaram puxar-nos para esse lado, mas felizmente nenhum de nós aderiu”, referiu.

Quanto à obra, Cesalty Paulo contou que o colectivo conseguiu, na mesma, estruturar de uma forma moderna tudo o que passou, desde o princípio da carreira, sendo que o livro conta as dificuldades, as vitórias e derrotas que viveu, como conseguiu desviar-se de situações embaraçosas.

Segundo a fonte, serve também para as pessoas que queiram realizar alguma coisa, pois, se crerem e o lerem, poderão lutar com a mesma dimensão para alcançar vitórias, “não se esquecendo de que vida não é fácil para todos, mas pode ser especial, e é uma só”.

Por fim, o entrevistado relevou que o livro foi lançado pensando para além do encaixe financeiro. “Os artistas precisam deixar obras. Podemos ter um retorno financeiro a longo prazo, mas, acima de tudo, precisamos deixar referências”, concluiu.

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Andrade Lino

Jornalista

Estudante de Língua Portuguesa e Comunicação, amante de artes visuais, música e poesia.

O humorista angolano Cesalty Paulo considera que “o humor é uma faca de dois gumes, é difícil de fazer, e não apenas em tempos de crise”.

O integrante dos Tuneza, que falava por ocasião da segunda sessão de vendas e autógrafos do primeiro livro do grupo “Humor não é só fazer rir”, acrescentou que “nós, os africanos, temos uma forma diferente de ver a nossa própria sociedade”, o que para torna difícil fazer humor, na visão do quinteto, e relativamente a essa questão, o mesmo entendeu privar-se de falar de política e de outros assuntos “pouco benéficos”.

“Ninguém nos apontou uma arma, nós mesmos achamos que temos muito conteúdo sobre aquilo que é a nossa vivência, para nos privarmos de certas coisas, porque há que se perceber até que ponto pode-se ser invasivo, se o que estamos a falar afecta alguém, se machuca ou não, mesmo que ainda tenha graça. E não se fala aqui apenas de política, há também a religião e o desporto, que são elementos de debate muito contundentes”, explicou Cesalty, em entrevista ao ONgoma News.

Adiante, clareou que a questão não é evitar atingir personalidades. “Os Tuneza fazem muita coisa que acaba por ser viral, e temos em mente que o país precisa de nós nesse momento para ser engrandecido, não para ser destruído, pois há coisas que mal ditas acabam por influenciar negativamente as pessoas. Logo, se tivermos de falar algo, é na posição de ajudar a melhorar uma situação que corre mal. Imagine ter 4.000.000 de visualizações num post no Facebook, de pessoas a interceder por aquilo que estás a falar. É preciso ter respeito pelo país e noção do que se tenta incutir nas cabeças das pessoas”, argumentou.

O humorista, que se destaca cada vez mais por causa da personagem “Tia Bolinha”, na série televisiva “No cubico dos Tunezas”, observou, por outro lado, que “muitas vezes nos queixamos de factores extras para não lutarmos”.

“É muito fácil nos queixarmos do Governo, do país, dos pais, e nos esquecemos de olharmos para nós mesmos. Por exemplo, Os Tunezas vieram de situações sociais diferentes, todas elas muito pobres, mas conseguimos, crendo, concluir os estudos, tornar-nos num grupo de sucesso nacional e internacional, somamos feitos positivos: fomos o primeiro grupo a fazer um espectáculo para mais de 5000 pessoas, o primeiro a lançar um CD, depois um DVD, agora um livro, temos outros sonhos, como fazer um filme, e estamos ainda na luta”, citou, tendo sublinhado que  “não é fácil, há momentos em que a vontade de desistir é tanta, mas é possível”.

Além disso, precisou que o “não” sempre está explanado, necessário é mostrar às pessoas o lado positivo daquilo que é a vontade. “Claro que já recebemos “não”, como muitos outros artistas, mas fizemos com que essas instituições que nos negaram se tornassem naquelas que um dia viessem à nossa procura, porque muitas vezes o “não” é um incentivo para que a pessoa continue a trabalhar”, afirmou.

Disse ainda que ao longo da carreira “a pessoa é privada de muitas coisas: festas de família, não tem até a oportunidade de estar presente no nascimento dum filho, tudo por sacrifício, porque às vezes a fama não é sinónimo daquilo que é a situação financeira do indivíduo”.

“Você passa por grandes dificuldades, mas as pessoas lá fora todas querem fazer fotografia contigo. É preciso contornar essa situação e fazer as pessoas perceber que é uma luta constante. À medida que vamos atingindo patamares percebemos que podemos ajudar outros jovens, sendo que há sonhos que precisam ser realizados, porque todos viemos também de condições lamentáveis, convivemos com pessoas que fumam, bebem e tentaram puxar-nos para esse lado, mas felizmente nenhum de nós aderiu”, referiu.

Quanto à obra, Cesalty Paulo contou que o colectivo conseguiu, na mesma, estruturar de uma forma moderna tudo o que passou, desde o princípio da carreira, sendo que o livro conta as dificuldades, as vitórias e derrotas que viveu, como conseguiu desviar-se de situações embaraçosas.

Segundo a fonte, serve também para as pessoas que queiram realizar alguma coisa, pois, se crerem e o lerem, poderão lutar com a mesma dimensão para alcançar vitórias, “não se esquecendo de que vida não é fácil para todos, mas pode ser especial, e é uma só”.

Por fim, o entrevistado relevou que o livro foi lançado pensando para além do encaixe financeiro. “Os artistas precisam deixar obras. Podemos ter um retorno financeiro a longo prazo, mas, acima de tudo, precisamos deixar referências”, concluiu.

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