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“O Estado não deveria colocar nem mais um kwanza nos projectos agrícolas”, defende Belarmino Jelembi

“O Estado não deveria colocar nem mais um kwanza nos projectos agrícolas”, defende Belarmino Jelembi
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O director-geral da Acção para o Desenvolvimento Rural e Ambiente (ADRA), Belarmino Jelembi, defendeu que “o Estado não deveria colocar nem mais um kwanza nos projectos agrícolas”, considerando ser importante avaliar o contexto do surgimento das várias unidades agrícolas de grande dimensão que devem ser totalmente privatizadas, tal como estabelece um Despacho Presidencial de 26 de Novembro.

Em causa estão os projectos agro-industriais e pecuários situados nas localidades do Longa (Cuando Cubango), Camaiangala (Moxico), Manquete (Cunene), Cuimba (Zaire), Camacupa (Bié) e Sanza Pombo (Uíge).

Entretanto, Belarmino Jelembi sublinhou que grande parte destas unidades esteve enquadrada num modelo de desenvolvimento agrícola assente em factores externos, resultando em investimentos inviáveis e que devem ser abandonados, reconheceu que o Estado investiu “muito dinheiro” na perspectiva da criação de empregos locais e alavancar a produção de alimentos, algo que, como notou, não aconteceu.

“A evidência é que acabaram por não se gerarem postos de trabalho, nem foi garantida a soberania alimentar”, referiu.

Para o gestor, ao partir-se para a privatização deve-se ter a clareza sobre o caminho a seguir, sublinhando que a estratégia de privatização deve permitir que quem adquire o património, dinamize a produção sem recursos públicos.

Ressalva, contudo, ser necessário analisar a especificidade de cada caso, para que a solução possibilite o funcionamento noutros moldes. “Seria oportuno que esta fase de privatizações fosse aproveitada para tratar dos problemas de gestão e posse de terra, bem como da integração das fazendas no desenvolvimento local”, referiu. 

À pergunta sobre se no actual contexto económico do país haverá suficiente capacidade técnica e financeira do sector privado para se habilitar a essas unidades, respondeu negativamente, notando que tal estende-se por todos os sectores da economia, “onde nos aventuramos com mega projectos”, em declarações ao Jornal de Angola.

“Sabemos que não há experiência no país para unidades de grande dimensão”, disse o líder da ADRA, acrescentando, no entanto, que a questão não se esgota apenas na insuficiente capacidade técnica, já que é necessário começar a olhar para o sector agrícola a montante e a jusante da produção.

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Redacção

O director-geral da Acção para o Desenvolvimento Rural e Ambiente (ADRA), Belarmino Jelembi, defendeu que “o Estado não deveria colocar nem mais um kwanza nos projectos agrícolas”, considerando ser importante avaliar o contexto do surgimento das várias unidades agrícolas de grande dimensão que devem ser totalmente privatizadas, tal como estabelece um Despacho Presidencial de 26 de Novembro.

Em causa estão os projectos agro-industriais e pecuários situados nas localidades do Longa (Cuando Cubango), Camaiangala (Moxico), Manquete (Cunene), Cuimba (Zaire), Camacupa (Bié) e Sanza Pombo (Uíge).

Entretanto, Belarmino Jelembi sublinhou que grande parte destas unidades esteve enquadrada num modelo de desenvolvimento agrícola assente em factores externos, resultando em investimentos inviáveis e que devem ser abandonados, reconheceu que o Estado investiu “muito dinheiro” na perspectiva da criação de empregos locais e alavancar a produção de alimentos, algo que, como notou, não aconteceu.

“A evidência é que acabaram por não se gerarem postos de trabalho, nem foi garantida a soberania alimentar”, referiu.

Para o gestor, ao partir-se para a privatização deve-se ter a clareza sobre o caminho a seguir, sublinhando que a estratégia de privatização deve permitir que quem adquire o património, dinamize a produção sem recursos públicos.

Ressalva, contudo, ser necessário analisar a especificidade de cada caso, para que a solução possibilite o funcionamento noutros moldes. “Seria oportuno que esta fase de privatizações fosse aproveitada para tratar dos problemas de gestão e posse de terra, bem como da integração das fazendas no desenvolvimento local”, referiu. 

À pergunta sobre se no actual contexto económico do país haverá suficiente capacidade técnica e financeira do sector privado para se habilitar a essas unidades, respondeu negativamente, notando que tal estende-se por todos os sectores da economia, “onde nos aventuramos com mega projectos”, em declarações ao Jornal de Angola.

“Sabemos que não há experiência no país para unidades de grande dimensão”, disse o líder da ADRA, acrescentando, no entanto, que a questão não se esgota apenas na insuficiente capacidade técnica, já que é necessário começar a olhar para o sector agrícola a montante e a jusante da produção.

Redacção

Licenciado em Gestão e Administração pela Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto, Félix Abias é um jornalista angolano que explora temas ligados à política e economia local. Actualmente trabalha para o Grupo Média Rumo

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