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“Nunca acreditei no combate à corrupção”, afirma deputado Nelito Ekuikui

“Nunca acreditei no combate à corrupção”, afirma deputado Nelito Ekuikui
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Andrade Lino

O deputado da UNITA Nelito Ekuikui afirmou que nunca acreditou no combate à corrupção, porque combater a corrupção em Angola significa combater o próprio MPLA.

“Uma vez que a corrupção em Angola foi o instrumento que se usou para resgatar o partido, eu não posso acreditar que o MPLA esteja pronto para dar o tiro ao próprio pé”, disse, na edição do Goza TV desse mês, promovido pela plataforma de humor Goz´Aqui, no Camões - Centro Cultural Português, onde foi convidado.

A corrupção em Angola atingiu níveis alarmantes, disse o entrevistado, que acredita que a mesma está no seio das famílias, nas igrejas, e portanto imprimiu-se na sociedade angolana, e combater a corrupção significa criar mecanismos legais para prevenir.

“Não sou daqueles que pensam que combater a corrupção significa perseguir. Devíamos encontrar mecanismos legais para evitar isso. O que se passou é que o presidente trouxe um discurso de combate de justiceiro, mas não tem condições de continuar, por uma razão muito simples: se o presidente for adiante, o combate pode chegar até a sua casa”, argumentou o deputado, que confirmou já ter afirmado publicamente que o presidente perdeu a batalha do combate à corrupção, que valeu um grande esforço para começar, mas já não vai avançar, “porque se virmos, todos quanto foram constituídos arguidos vão saindo por falta de provas, vão para as suas casas, o que mostra não haver um compromisso sério para combater a corrupção. Outrossim, a riqueza de Angola está dividida num pequeno grupo de pessoas que chega a ser mais rico que o próprio Estado, e então combater a corrupção significa retirar as riquezas dessas pessoas para devolver ao Estado e beneficiar a todos”.

“O presidente estará disposto a fazer isso?”, questionou, tendo afirmado que cada um de nós tem a resposta, e acha que é “não”.

Da mesma forma que para si o combate à corrupção não é real, a abertura também não é. Não existe uma abertura real nos meios da comunicação social, pra quem tem o poder de divulgar a consciência do povo, com discursos ou uma aparição na televisão, lamenta.

Acrescentou que dificilmente são abertos esses espaços, por também ainda não há abertura, sendo que os órgãos de comunicação em Angola e que são privados ainda se confundem com os órgãos de comunicação do partido.

Por outro lado, o representante do maior partido da oposição observou que as organizações políticas criam-se fundamentalmente para a conquista do poder, e esta visa organizar o cidadão. Em épocas de eleições, referiu, a UNITA estabeleceu um compromisso com o cidadão, um programa de governação e cabe o cidadão aceitar fazer o contrato ou não.

“Até aqui, aparentemente, nunca estabelecemos um contrato de compromisso com o cidadão, e se nós não estabelecermos um compromisso com o cidadão, não conseguiremos realizar Angola, porque não estamos a fazer a gestão do recurso do país”, precisou Nelito Ekuikui, tendo continuado que, sendo assim,  o mínimo que  pode fazer, e se calhar o máximo, é ser a voz do cidadão, falar em seu nome e defender os seus direitos.

O também  membro suplente do Conselho de Administração da Assembleia Nacional entende que nem sempre o debate televisivo é realista. “Eu posso escrever um discurso e não ter uma intenção honesta, e o mais sensato para um politico é ser honesto, é estar com o povo e não estar na televisão. Quando não havia televisão, o meio que os políticos usavam para se comunicar com o povo eram os comícios”, reforçou.

No seu entender, não é fácil fazer oposição em Angola. “Precisamos fazer um novo discurso, uma nova forma de fazer política”, exortou o responsável que defende que, se nós tivéssemos no país a alternância de poder, se calhar haveria mais competividade e mais desenvolvimento, porque cada um devia se preocupar efectivamente em realizar aquilo que conta. Mas como não há alternância do poder em Angola, quem está no poder preocupa-se em fazer menos, porque o cidadão exige pouco, realçou.

O programa de governação é o contrato de compromisso entre o Governo e o cidadão, lembrou o deputado, alertando que “para exigir precisamos ler, pois se não se lermos não temos como exigir, e porque os partidos politicos são instrumentos para o alcance do poder. A oportunidade conquista-se”.

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Andrade Lino

Jornalista

Estudante de Língua Portuguesa e Comunicação, amante de artes visuais, música e poesia.

O deputado da UNITA Nelito Ekuikui afirmou que nunca acreditou no combate à corrupção, porque combater a corrupção em Angola significa combater o próprio MPLA.

“Uma vez que a corrupção em Angola foi o instrumento que se usou para resgatar o partido, eu não posso acreditar que o MPLA esteja pronto para dar o tiro ao próprio pé”, disse, na edição do Goza TV desse mês, promovido pela plataforma de humor Goz´Aqui, no Camões - Centro Cultural Português, onde foi convidado.

A corrupção em Angola atingiu níveis alarmantes, disse o entrevistado, que acredita que a mesma está no seio das famílias, nas igrejas, e portanto imprimiu-se na sociedade angolana, e combater a corrupção significa criar mecanismos legais para prevenir.

“Não sou daqueles que pensam que combater a corrupção significa perseguir. Devíamos encontrar mecanismos legais para evitar isso. O que se passou é que o presidente trouxe um discurso de combate de justiceiro, mas não tem condições de continuar, por uma razão muito simples: se o presidente for adiante, o combate pode chegar até a sua casa”, argumentou o deputado, que confirmou já ter afirmado publicamente que o presidente perdeu a batalha do combate à corrupção, que valeu um grande esforço para começar, mas já não vai avançar, “porque se virmos, todos quanto foram constituídos arguidos vão saindo por falta de provas, vão para as suas casas, o que mostra não haver um compromisso sério para combater a corrupção. Outrossim, a riqueza de Angola está dividida num pequeno grupo de pessoas que chega a ser mais rico que o próprio Estado, e então combater a corrupção significa retirar as riquezas dessas pessoas para devolver ao Estado e beneficiar a todos”.

“O presidente estará disposto a fazer isso?”, questionou, tendo afirmado que cada um de nós tem a resposta, e acha que é “não”.

Da mesma forma que para si o combate à corrupção não é real, a abertura também não é. Não existe uma abertura real nos meios da comunicação social, pra quem tem o poder de divulgar a consciência do povo, com discursos ou uma aparição na televisão, lamenta.

Acrescentou que dificilmente são abertos esses espaços, por também ainda não há abertura, sendo que os órgãos de comunicação em Angola e que são privados ainda se confundem com os órgãos de comunicação do partido.

Por outro lado, o representante do maior partido da oposição observou que as organizações políticas criam-se fundamentalmente para a conquista do poder, e esta visa organizar o cidadão. Em épocas de eleições, referiu, a UNITA estabeleceu um compromisso com o cidadão, um programa de governação e cabe o cidadão aceitar fazer o contrato ou não.

“Até aqui, aparentemente, nunca estabelecemos um contrato de compromisso com o cidadão, e se nós não estabelecermos um compromisso com o cidadão, não conseguiremos realizar Angola, porque não estamos a fazer a gestão do recurso do país”, precisou Nelito Ekuikui, tendo continuado que, sendo assim,  o mínimo que  pode fazer, e se calhar o máximo, é ser a voz do cidadão, falar em seu nome e defender os seus direitos.

O também  membro suplente do Conselho de Administração da Assembleia Nacional entende que nem sempre o debate televisivo é realista. “Eu posso escrever um discurso e não ter uma intenção honesta, e o mais sensato para um politico é ser honesto, é estar com o povo e não estar na televisão. Quando não havia televisão, o meio que os políticos usavam para se comunicar com o povo eram os comícios”, reforçou.

No seu entender, não é fácil fazer oposição em Angola. “Precisamos fazer um novo discurso, uma nova forma de fazer política”, exortou o responsável que defende que, se nós tivéssemos no país a alternância de poder, se calhar haveria mais competividade e mais desenvolvimento, porque cada um devia se preocupar efectivamente em realizar aquilo que conta. Mas como não há alternância do poder em Angola, quem está no poder preocupa-se em fazer menos, porque o cidadão exige pouco, realçou.

O programa de governação é o contrato de compromisso entre o Governo e o cidadão, lembrou o deputado, alertando que “para exigir precisamos ler, pois se não se lermos não temos como exigir, e porque os partidos politicos são instrumentos para o alcance do poder. A oportunidade conquista-se”.

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