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“Nós temos um modelo económico de parasita”, afirmou Yuri Quixina

“Nós temos um modelo económico de parasita”, afirmou Yuri Quixina
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Andrade Lino

O economista angolano Yuri Quixina afirmou que Angola possui um modelo económico de parasita, “de quem quer viver sem trabalho, sem produtividade, porque o modelo económico tem que virar a mentalidade do povo”.

Nesse sentido, disse, as pessoas têm que ter amor ao trabalho, ao acréscimo, devendo ser pagas em função dos resultados apresentados, porque “isso é que faz crescer um país, como acontece na Ásia, Europa, enfim”.

O especialista, que falou por ocasião da apresentação do livro “Angola 45 anos: O político, o social, o económico e o cultural – Entre balanços e perspectivas”, do qual foi co-organizador, continuou que o país funcionou nos 45 anos sem um modelo próprio de economia, e não possui um modelo interessante até agora.

“Então, o problema da economia angolana é o modelo, é a matriz que está equivocada porque o Estado é que faz tudo. Uma economia em que o Estado é que está na boca do cidadão, significa que essa economia não é muito interessante”, declarou Yuri Quixina, relevando que o melhor modelo económico é aquele em que as famílias são os empresários, são ricas, trabalham, e as pessoas sentem-se livres de votarem ou não, porque têm as suas empresas.

O também professor universitário defendeu, entretanto, que precisamos criar uma economia familiar, em que as famílias deixam heranças ao longo da história. Mas, para Angola ter um modelo económico dessa natureza, é preciso tirar o Estado do centro da economia, disse, em entrevista ao ONgoma News.

Afirmou ainda que as tentativas de diversificação da economia são falhadas. O impacto é um falhanço quando não se faz um bom diagnóstico, quando não se coloca a população no centro, como instrumento para fazer a economia crescer, lamentou.

Sobre a sua contribuição na obra, apresentada no final de Setembro, no Memorial Agostinho Neto, o economista lembrou que a economia angolana vivenciou várias fases, e no livro mostra-se a fase pré-colonial, as crises, o período em que eram os portugueses a liderar Angola.

“As crises começaram já nos anos 30, depois da Grande Depressão, em 1929, mas não saímos do problema. Por outro lado, vimos que a recuperação constatou-se apenas quando se recuperou a economia mundial. Mostramos também que o petróleo tornou-se o produto de maior exportação muito antes de sermos independentes, em 1973. De lá para cá, o produto foi sempre a matéria que impulsionou o Estado angolano. Mas a economia nasce de forma débil em 1975 - uma economia cujos gestores fugiram, abandonaram, os operários viraram o gestor, e por isso não tinha como ela não ter problemas iniciais. Só que de 75 até o final do século XX, a economia angolana vive moribunda, em função dos conflitos militares, sem definição de modelo. Em quase 10 anos, vivemos nove programas de economia, com novos ministros, novos governadores, tantas tentativas sem nenhuma dar certo”, abordou.

Por fim, Yuri Quixina disse esperar que as pessoas leiam o livro, “pois tem coisas muito interessantes”.

Na parte económica, referiu, há coisas que nunca ouviu ninguém a falar na televisão ou na rádio, principalmente na parte histórica, mas também há perspectivas de como a economia deveria funcionar para que efectivamente o país desenvolva.

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Andrade Lino

Jornalista

Estudante de Língua Portuguesa e Comunicação, amante de artes visuais, música e poesia.

O economista angolano Yuri Quixina afirmou que Angola possui um modelo económico de parasita, “de quem quer viver sem trabalho, sem produtividade, porque o modelo económico tem que virar a mentalidade do povo”.

Nesse sentido, disse, as pessoas têm que ter amor ao trabalho, ao acréscimo, devendo ser pagas em função dos resultados apresentados, porque “isso é que faz crescer um país, como acontece na Ásia, Europa, enfim”.

O especialista, que falou por ocasião da apresentação do livro “Angola 45 anos: O político, o social, o económico e o cultural – Entre balanços e perspectivas”, do qual foi co-organizador, continuou que o país funcionou nos 45 anos sem um modelo próprio de economia, e não possui um modelo interessante até agora.

“Então, o problema da economia angolana é o modelo, é a matriz que está equivocada porque o Estado é que faz tudo. Uma economia em que o Estado é que está na boca do cidadão, significa que essa economia não é muito interessante”, declarou Yuri Quixina, relevando que o melhor modelo económico é aquele em que as famílias são os empresários, são ricas, trabalham, e as pessoas sentem-se livres de votarem ou não, porque têm as suas empresas.

O também professor universitário defendeu, entretanto, que precisamos criar uma economia familiar, em que as famílias deixam heranças ao longo da história. Mas, para Angola ter um modelo económico dessa natureza, é preciso tirar o Estado do centro da economia, disse, em entrevista ao ONgoma News.

Afirmou ainda que as tentativas de diversificação da economia são falhadas. O impacto é um falhanço quando não se faz um bom diagnóstico, quando não se coloca a população no centro, como instrumento para fazer a economia crescer, lamentou.

Sobre a sua contribuição na obra, apresentada no final de Setembro, no Memorial Agostinho Neto, o economista lembrou que a economia angolana vivenciou várias fases, e no livro mostra-se a fase pré-colonial, as crises, o período em que eram os portugueses a liderar Angola.

“As crises começaram já nos anos 30, depois da Grande Depressão, em 1929, mas não saímos do problema. Por outro lado, vimos que a recuperação constatou-se apenas quando se recuperou a economia mundial. Mostramos também que o petróleo tornou-se o produto de maior exportação muito antes de sermos independentes, em 1973. De lá para cá, o produto foi sempre a matéria que impulsionou o Estado angolano. Mas a economia nasce de forma débil em 1975 - uma economia cujos gestores fugiram, abandonaram, os operários viraram o gestor, e por isso não tinha como ela não ter problemas iniciais. Só que de 75 até o final do século XX, a economia angolana vive moribunda, em função dos conflitos militares, sem definição de modelo. Em quase 10 anos, vivemos nove programas de economia, com novos ministros, novos governadores, tantas tentativas sem nenhuma dar certo”, abordou.

Por fim, Yuri Quixina disse esperar que as pessoas leiam o livro, “pois tem coisas muito interessantes”.

Na parte económica, referiu, há coisas que nunca ouviu ninguém a falar na televisão ou na rádio, principalmente na parte histórica, mas também há perspectivas de como a economia deveria funcionar para que efectivamente o país desenvolva.

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