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“Nós não temos academia”, afirma professora Elizabete Cruz

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Andrade Lino

A docente universitária Elizabete Vera Cruz afirmou que “não temos academia em Angola” e que essa é uma ideia que defende há muito tempo.

Falando por ocasião do lançamento do livro “Angola 45 anos – O político, o social, o económico e o cultural: Entre balanços e perspectivas”, que decorreu na segunda-feira passada, no Memorial Agostinho Neto, a professora doutora sustentou essa tese com o facto de que, no seu entender, “quando falamos de existência de academia, estamos a falar de grupos, de centros de estudo e investigação, o que não temos, e de pessoas entrosadas que trabalham em prol do país e da investigação que produzem e trazem”.

“O que temos aqui é um grupo de iluminados que eventualmente trabalha para aparecer, mais do que efectivamente trabalhar para produzir, e dessa forma vamos continuar sem produção científica e sem academia”, lamentou Elizabete Cruz.

A docente, coordenadora do livro, este que deveria ser lançado no ano passado, mas “só agora foi possível”, disse por outro lado que o que motivou a organização do material foi obviamente a comemoração dos 45 anos de Paz, entendendo que a melhor maneira de o fazer seria reunir um conjunto de académicos, investigadores e estudiosos de diversas áreas para pensar o país.

“Para esta obra, fui buscar gente conhecida e menos conhecida, gente de diferentes áreas que têm produção que conheço, embora tenha pedido a alguns co-autores para sugerirem nomes, e entendo que esse trabalho é de todos que participaram”, contou.

Em entrevista ao ONgoma News, a fonte declarou que a ideia é que esse trabalho acabe sendo um estímulo para a investigação científica.

“Que façamos investigação onde quer que estejamos, que essa nova geração também aprenda a fazer, porque esse é um dos grandes défices - não há estímulos, o vazio é uma realidade. O outro problema é que, embora existam trabalhos (um ou outro), não são divulgados. E mesmo quando são divulgados, não possuem reflexão crítica ou são debatidos, um exercício que é muito importante para produção científica”, rebateu a autora.

Por sua vez, o professor Carlos Mariano, co-organizador do livro, fez saber que houve uma participação massiva dos autores convocados para contribuírem para esta obra, relevando que ela é transversal e reflecte o interesse de vários cultores das ciências em contribuírem para os sustentáculos científicos para muitos dos aspectos relacionados com as políticas públicas do nosso país.

Entretanto, explicou que a obra não foi feita em função dos problemas com o que o país se debate, mas numa perspectiva mais global dos problemas e não respondendo directamente aos problemas contextuais ou conjunturais. Mas, clareou, “na perspectiva de ela ser uma obra de consulta para eventualmente corrigirmos concepções doutrinárias do nosso país, ela serve plenamente para isso”.

Com 391 páginas, o livro, editado pela Mayamba,  é uma colectânea de 18 textos de autoria de 18 autores  angolanos, onde estes trouxeram como pretexto, em quatro capítulos, uma oportunidade para se reflectir e pensar sobre o país sob diferentes perspectivas, 45 anos depois da proclamação da Independência Nacional.

Teve a coordenação e organização de Elizabete Cruz, co-organizada por Carlos Mariano e Yuri Quixima, e editado por Arlindo Isabel, contando ainda com a intervenção de estudiosos como Isaac Paxe, Paulo de Carvalho, Fernando Pacheco e Constança Ceita, dentre outros.

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Andrade Lino

Jornalista

Estudante de Língua Portuguesa e Comunicação, amante de artes visuais, música e poesia.

A docente universitária Elizabete Vera Cruz afirmou que “não temos academia em Angola” e que essa é uma ideia que defende há muito tempo.

Falando por ocasião do lançamento do livro “Angola 45 anos – O político, o social, o económico e o cultural: Entre balanços e perspectivas”, que decorreu na segunda-feira passada, no Memorial Agostinho Neto, a professora doutora sustentou essa tese com o facto de que, no seu entender, “quando falamos de existência de academia, estamos a falar de grupos, de centros de estudo e investigação, o que não temos, e de pessoas entrosadas que trabalham em prol do país e da investigação que produzem e trazem”.

“O que temos aqui é um grupo de iluminados que eventualmente trabalha para aparecer, mais do que efectivamente trabalhar para produzir, e dessa forma vamos continuar sem produção científica e sem academia”, lamentou Elizabete Cruz.

A docente, coordenadora do livro, este que deveria ser lançado no ano passado, mas “só agora foi possível”, disse por outro lado que o que motivou a organização do material foi obviamente a comemoração dos 45 anos de Paz, entendendo que a melhor maneira de o fazer seria reunir um conjunto de académicos, investigadores e estudiosos de diversas áreas para pensar o país.

“Para esta obra, fui buscar gente conhecida e menos conhecida, gente de diferentes áreas que têm produção que conheço, embora tenha pedido a alguns co-autores para sugerirem nomes, e entendo que esse trabalho é de todos que participaram”, contou.

Em entrevista ao ONgoma News, a fonte declarou que a ideia é que esse trabalho acabe sendo um estímulo para a investigação científica.

“Que façamos investigação onde quer que estejamos, que essa nova geração também aprenda a fazer, porque esse é um dos grandes défices - não há estímulos, o vazio é uma realidade. O outro problema é que, embora existam trabalhos (um ou outro), não são divulgados. E mesmo quando são divulgados, não possuem reflexão crítica ou são debatidos, um exercício que é muito importante para produção científica”, rebateu a autora.

Por sua vez, o professor Carlos Mariano, co-organizador do livro, fez saber que houve uma participação massiva dos autores convocados para contribuírem para esta obra, relevando que ela é transversal e reflecte o interesse de vários cultores das ciências em contribuírem para os sustentáculos científicos para muitos dos aspectos relacionados com as políticas públicas do nosso país.

Entretanto, explicou que a obra não foi feita em função dos problemas com o que o país se debate, mas numa perspectiva mais global dos problemas e não respondendo directamente aos problemas contextuais ou conjunturais. Mas, clareou, “na perspectiva de ela ser uma obra de consulta para eventualmente corrigirmos concepções doutrinárias do nosso país, ela serve plenamente para isso”.

Com 391 páginas, o livro, editado pela Mayamba,  é uma colectânea de 18 textos de autoria de 18 autores  angolanos, onde estes trouxeram como pretexto, em quatro capítulos, uma oportunidade para se reflectir e pensar sobre o país sob diferentes perspectivas, 45 anos depois da proclamação da Independência Nacional.

Teve a coordenação e organização de Elizabete Cruz, co-organizada por Carlos Mariano e Yuri Quixima, e editado por Arlindo Isabel, contando ainda com a intervenção de estudiosos como Isaac Paxe, Paulo de Carvalho, Fernando Pacheco e Constança Ceita, dentre outros.

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