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“No nosso país, há universidades que deveriam ser chamadas de institutos médios”, critica professor Luiz Costa

“No nosso país, há universidades que deveriam ser chamadas de institutos médios”, critica professor Luiz Costa
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Andrade Lino

O professor da Universidade Católica de Angola Luiz Costa criticou a qualidade de ensino de algumas instituições de ensino superior do país, considerando que deveriam ser chamadas de “institutos médios”, por não corresponderem exactamente aos níveis superiores exigidos ao conhecimento.

“Há universidades que estão a ocupar terreno, mas aparecem com planos e projectos vindos de fora e não respeitam os indivíduos endógenos e os estudantes que lá vão ou têm que aprender a decorar aquilo que eles dizem, e depois, tornam-se doutores fora da realidade”, referiu o docente, que falava por ocasião da Conferência Internacional subordinada ao tema “Humanidade Pública: Pensar a Liberdade na Universidade Africana”, organizada no mês passado, pela Universidade Católica de Angola.  

“Uma sociedade que tem um curso médio muito baixo, não sei se já justificaria uma universidade. A pergunta que se coloca muitas vezes é: A criação de universidade já corresponde aos níveis populares da nossa sociedade? Neste momento, eu não sei dizer se a universidade vale ou não, o que posso dizer é que é importante, sim, corresponder aos níveis culturais do povo angolano. Será que a universidade é para a gente da elite, gente que tem muito dinheiro ou gente que tem qualquer coisa mais do que os outros?”, questionou.

“Como é que nós podemos compreender que um universitário depois de 4 anos curriculares se exprime mal, escreve mal, não obedece a pontuação, não sabe ler? Não digo todos, mas alguns são deste tipo, e nós não podemos tolerar isso”, afirmou.

Em entrevista ao ONgoma News, o também pesquisador advogou que a universidade deve preparar os estudantes a possuírem uma inteligência forte, que não se deixe cair perante truques de fácil auto-venda.

“Deve-se criar nesta juventude uma moral irrepreensível, começando nas escolas, não copiar, não roubar exames e não se contentar com uma nota 10. Temos que agarrar esta situação de estudar para ganharmos a capacidade cognoscitiva para nos libertarmos precisamente da colonização mental, aí onde está a descolonização, aprender a pensar, investigar, amar o próprio país - amar os angolanos”, exortou, acrescentando, por outro lado, que Angola deve ter conceitos próprios e a maneira de conceber uma teoria para explicar um fenómeno.

“A ciência não é universal, é contextual, o que quer dizer que as teorias europeias que explicam o fenómeno europeu podem não bater certo com a explicação do fenómeno angolano”, continuou, e ainda na mesma linha de pensamento, o orador salientou que os estudantes do ensino superior estão em melhores condições para explicar e libertar Angola da passividade.

“Nós lemos pouco, estudamos pouco e investigamos pouco. Ao considerarmos as universidades em Angola, o que se pretende defender é que se aqui algum desenvolvimento vier a haver, não se assistirá, decerto, a repetição de modelos e experiências. Ou seja, nós podemos apresentar e aprender dos outros, mas antes de tudo é exactamente esta auto-estima que eu peço que os jovens universitários ganhem, a força de uma inteligência, uma moral irrepreensível e uma sociabilidade recíproca”, ressaltou.

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Pedro Kididi

Jornalista

O professor da Universidade Católica de Angola Luiz Costa criticou a qualidade de ensino de algumas instituições de ensino superior do país, considerando que deveriam ser chamadas de “institutos médios”, por não corresponderem exactamente aos níveis superiores exigidos ao conhecimento.

“Há universidades que estão a ocupar terreno, mas aparecem com planos e projectos vindos de fora e não respeitam os indivíduos endógenos e os estudantes que lá vão ou têm que aprender a decorar aquilo que eles dizem, e depois, tornam-se doutores fora da realidade”, referiu o docente, que falava por ocasião da Conferência Internacional subordinada ao tema “Humanidade Pública: Pensar a Liberdade na Universidade Africana”, organizada no mês passado, pela Universidade Católica de Angola.  

“Uma sociedade que tem um curso médio muito baixo, não sei se já justificaria uma universidade. A pergunta que se coloca muitas vezes é: A criação de universidade já corresponde aos níveis populares da nossa sociedade? Neste momento, eu não sei dizer se a universidade vale ou não, o que posso dizer é que é importante, sim, corresponder aos níveis culturais do povo angolano. Será que a universidade é para a gente da elite, gente que tem muito dinheiro ou gente que tem qualquer coisa mais do que os outros?”, questionou.

“Como é que nós podemos compreender que um universitário depois de 4 anos curriculares se exprime mal, escreve mal, não obedece a pontuação, não sabe ler? Não digo todos, mas alguns são deste tipo, e nós não podemos tolerar isso”, afirmou.

Em entrevista ao ONgoma News, o também pesquisador advogou que a universidade deve preparar os estudantes a possuírem uma inteligência forte, que não se deixe cair perante truques de fácil auto-venda.

“Deve-se criar nesta juventude uma moral irrepreensível, começando nas escolas, não copiar, não roubar exames e não se contentar com uma nota 10. Temos que agarrar esta situação de estudar para ganharmos a capacidade cognoscitiva para nos libertarmos precisamente da colonização mental, aí onde está a descolonização, aprender a pensar, investigar, amar o próprio país - amar os angolanos”, exortou, acrescentando, por outro lado, que Angola deve ter conceitos próprios e a maneira de conceber uma teoria para explicar um fenómeno.

“A ciência não é universal, é contextual, o que quer dizer que as teorias europeias que explicam o fenómeno europeu podem não bater certo com a explicação do fenómeno angolano”, continuou, e ainda na mesma linha de pensamento, o orador salientou que os estudantes do ensino superior estão em melhores condições para explicar e libertar Angola da passividade.

“Nós lemos pouco, estudamos pouco e investigamos pouco. Ao considerarmos as universidades em Angola, o que se pretende defender é que se aqui algum desenvolvimento vier a haver, não se assistirá, decerto, a repetição de modelos e experiências. Ou seja, nós podemos apresentar e aprender dos outros, mas antes de tudo é exactamente esta auto-estima que eu peço que os jovens universitários ganhem, a força de uma inteligência, uma moral irrepreensível e uma sociabilidade recíproca”, ressaltou.

Pedro Kididi

Jornalista

Licenciado em Gestão e Administração pela Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto, Félix Abias é um jornalista angolano que explora temas ligados à política e economia local. Actualmente trabalha para o Grupo Média Rumo

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