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“Não tenho aspirações políticas pessoais”, afirmou Belarmino Van-Dúnem

“Não tenho aspirações políticas pessoais”, afirmou Belarmino Van-Dúnem
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Andrade Lino

O ex-presidente da antiga APIEX, Belarmino Van-Dúnem, afirmou que não tem aspirações políticas pessoais, “porque não importa onde nós estamos, mas aonde queremos ir”, e  tem a visão de que, “para nós liderarmos, não precisamos de carro”, tendo realçado que neste momento não tem um bom carro.

As aspirações políticas dependem das circunstâncias, disse o convidado na edição do mês passado do Goza TV, quando fez saber ainda que defende que a justiça deve funcionar, e como exemplo disso, na altura em que se acompanhava o caso “15+2”, pode ter sido o “único” a ir à TPA dizer que “são jovens, as autoridades têm que socorrer Luaty Beirão porque a nossa lei não permite que ele morra”.

Entretanto, Belarmino Van-Dúnem sempre foi coerente para consigo mesmo, falou, e por isso não se engaja em ter uma carreira politica “lá muito famosa”, pois entende que “o que nós fazemos é uma passagem e vamos ser lembrados por aquilo que fizermos e que faça as pessoas se lembrarem de nós”.

“Tu não precisas ser muito bom para seres um deputado ou um ministro, dependes de uma indicação. Por exemplo, nunca me viu numa festa, numa discoteca, na rua, sou uma pessoa particular, não obstante à vida pública. Como nos momentos mais quentes do país, sempre fui uma pessoa que nunca derreigou a sua imagem, sou capaz de chegar à imagem pública e dizer que sou militante do MPLA, eu faço formação, ando na sede do partido, sou chamado para dar estratégias. Contudo, o que quero dizer é que as minhas aspirações são de onde eu quero chegar, não como de algo que dependa do grupo ou do partido, mas estar sempre na sociedade, integrado e poder fazer a minha vida, independentemente de cargos públicos”, argumentou.

Mestre em Análise de Gestão de Projectos, o também professor de Hermenéutica do Texto Jurídico disse, por outro lado, que está a se tentar, do ponto de vista jocoso, politizar bastante a questão da ausência da vida política do antecessor Presidente da República, José Eduardo dos Santos, e o percurso de João Lourenço, enquanto actual chefe de Estado.

“Nós, do MPLA, e eu falo como militante que está por dentro, vemos isso como o facto de que as transições são sempre difíceis. Estamos a confudir Angola com internet, WhatsApps e etc. Acabou o mandato de José Eduardo dos Santos, e da forma como nós sabemos, foram 30 e tal anos. Os filhos todos nasceram, ele ainda era Presidente, e de repente há essa transição. O quê que acontece? Mesmo quando o Presidente Agostinho Neto faleceu, a transição não foi fácil para muitas famílias, inclusive para a família dele”, referiu.

O ainda doutor em Relações Internacionais continuou que José Eduardo marcou-se no discurso de tomada de posse dizendo que “não é uma substituição fácil, nem tão pouco desejável, mas necessária”, e o próprio João Lourenço reconheceu também que não estava a ser uma substituição fácil, e quem estudou estratégica política, frisou, sabe que é possível dar tempo, porque mesmo nas instituições, tomando posse como director, é preciso calçar as próprias botas, “porque quem pega a do outro nunca se afirma”, daí ser preciso dar tempo.

“O PR João Lourenço está numa fase de adaptação e consolidação do seu poder. Se ele agora vestir as camisas e as botas do outro, o que vai acontecer?”, questionou Belarmino, que asseverou que nós, às vezes, brincamos muito de política, nela não existem inocentes e estar aí não é uma decisão fácil. “É preciso disciplina e convicção”, relevou o ex-gestor da extinta APIEX (Agência para Promoção de Investimento e Exportação de Angola), que declarou entretanto que as acusações quanto à sua possível ligação à Burla Thailandesa eram equívocas.

Contestou ainda que há um problema muito sério em Angola, que é o facto de acharmos que todos roubam, tendo sublinhado que é preciso investigar a vida das pessoas, saber onde vivem e com que te tipo de carro andam.

“É o próprio MPLA quem está a fazer essa mudança. Não haver dinheiro no Estado não quer dizer que falte dinheiro em casa ou na nossa conta bancária. Estas questões devem ser bem explicadas. Nós somos como pequenos europeus. Por que que até a tia mais humilde precisa de dólares? Porque ela está a pensar no exterior. Temos que repensar a sociedade”, exortou.

Mas disse não estar a condenar a juventude, que tal como os “mais velhos têm várias namoradas, carros caríssimos e viajam sempre para o Dubai há também jovens que vivem a vida desses adultos”, sendo que conhece muitos jovens coerentes e que terão a responsabilidade de dirigir o país e orientar a sociedade daqui a 40 anos.

“Não podemos culpabilizar o que aconteceu numa transição mal dirigida, houve muitos aproveitamentos, deputados com terrenos, etc. Nós, como jovens, ainda estamos a pagar essa dívida, e portanto, temos o mérito, com o Presidente João Lourenço, de colocar um stop nisso”, defendeu.

É de opinião que a sociedade não está saudável porque ainda há pessoas pobres, que não têm o que comer, e não há também saúde do ponto de vista de mentalidade por falta de auto-estima.

Podendo essa falta de auto-estima dever-se à falta de bons exemplos, como foi indagado por Tiago Costa, apresentador do programa, Belarmino Van-Dúnem disse não responder pelos erros dos outros. Não tem compromissos com ninguém, não tem casas, não tem nada, e não admite ser colocado na mesma cartola que os outros pelo simples facto de ser do MPLA.

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Andrade Lino

Jornalista

Estudante de Língua Portuguesa e Comunicação, amante de artes visuais, música e poesia.

O ex-presidente da antiga APIEX, Belarmino Van-Dúnem, afirmou que não tem aspirações políticas pessoais, “porque não importa onde nós estamos, mas aonde queremos ir”, e  tem a visão de que, “para nós liderarmos, não precisamos de carro”, tendo realçado que neste momento não tem um bom carro.

As aspirações políticas dependem das circunstâncias, disse o convidado na edição do mês passado do Goza TV, quando fez saber ainda que defende que a justiça deve funcionar, e como exemplo disso, na altura em que se acompanhava o caso “15+2”, pode ter sido o “único” a ir à TPA dizer que “são jovens, as autoridades têm que socorrer Luaty Beirão porque a nossa lei não permite que ele morra”.

Entretanto, Belarmino Van-Dúnem sempre foi coerente para consigo mesmo, falou, e por isso não se engaja em ter uma carreira politica “lá muito famosa”, pois entende que “o que nós fazemos é uma passagem e vamos ser lembrados por aquilo que fizermos e que faça as pessoas se lembrarem de nós”.

“Tu não precisas ser muito bom para seres um deputado ou um ministro, dependes de uma indicação. Por exemplo, nunca me viu numa festa, numa discoteca, na rua, sou uma pessoa particular, não obstante à vida pública. Como nos momentos mais quentes do país, sempre fui uma pessoa que nunca derreigou a sua imagem, sou capaz de chegar à imagem pública e dizer que sou militante do MPLA, eu faço formação, ando na sede do partido, sou chamado para dar estratégias. Contudo, o que quero dizer é que as minhas aspirações são de onde eu quero chegar, não como de algo que dependa do grupo ou do partido, mas estar sempre na sociedade, integrado e poder fazer a minha vida, independentemente de cargos públicos”, argumentou.

Mestre em Análise de Gestão de Projectos, o também professor de Hermenéutica do Texto Jurídico disse, por outro lado, que está a se tentar, do ponto de vista jocoso, politizar bastante a questão da ausência da vida política do antecessor Presidente da República, José Eduardo dos Santos, e o percurso de João Lourenço, enquanto actual chefe de Estado.

“Nós, do MPLA, e eu falo como militante que está por dentro, vemos isso como o facto de que as transições são sempre difíceis. Estamos a confudir Angola com internet, WhatsApps e etc. Acabou o mandato de José Eduardo dos Santos, e da forma como nós sabemos, foram 30 e tal anos. Os filhos todos nasceram, ele ainda era Presidente, e de repente há essa transição. O quê que acontece? Mesmo quando o Presidente Agostinho Neto faleceu, a transição não foi fácil para muitas famílias, inclusive para a família dele”, referiu.

O ainda doutor em Relações Internacionais continuou que José Eduardo marcou-se no discurso de tomada de posse dizendo que “não é uma substituição fácil, nem tão pouco desejável, mas necessária”, e o próprio João Lourenço reconheceu também que não estava a ser uma substituição fácil, e quem estudou estratégica política, frisou, sabe que é possível dar tempo, porque mesmo nas instituições, tomando posse como director, é preciso calçar as próprias botas, “porque quem pega a do outro nunca se afirma”, daí ser preciso dar tempo.

“O PR João Lourenço está numa fase de adaptação e consolidação do seu poder. Se ele agora vestir as camisas e as botas do outro, o que vai acontecer?”, questionou Belarmino, que asseverou que nós, às vezes, brincamos muito de política, nela não existem inocentes e estar aí não é uma decisão fácil. “É preciso disciplina e convicção”, relevou o ex-gestor da extinta APIEX (Agência para Promoção de Investimento e Exportação de Angola), que declarou entretanto que as acusações quanto à sua possível ligação à Burla Thailandesa eram equívocas.

Contestou ainda que há um problema muito sério em Angola, que é o facto de acharmos que todos roubam, tendo sublinhado que é preciso investigar a vida das pessoas, saber onde vivem e com que te tipo de carro andam.

“É o próprio MPLA quem está a fazer essa mudança. Não haver dinheiro no Estado não quer dizer que falte dinheiro em casa ou na nossa conta bancária. Estas questões devem ser bem explicadas. Nós somos como pequenos europeus. Por que que até a tia mais humilde precisa de dólares? Porque ela está a pensar no exterior. Temos que repensar a sociedade”, exortou.

Mas disse não estar a condenar a juventude, que tal como os “mais velhos têm várias namoradas, carros caríssimos e viajam sempre para o Dubai há também jovens que vivem a vida desses adultos”, sendo que conhece muitos jovens coerentes e que terão a responsabilidade de dirigir o país e orientar a sociedade daqui a 40 anos.

“Não podemos culpabilizar o que aconteceu numa transição mal dirigida, houve muitos aproveitamentos, deputados com terrenos, etc. Nós, como jovens, ainda estamos a pagar essa dívida, e portanto, temos o mérito, com o Presidente João Lourenço, de colocar um stop nisso”, defendeu.

É de opinião que a sociedade não está saudável porque ainda há pessoas pobres, que não têm o que comer, e não há também saúde do ponto de vista de mentalidade por falta de auto-estima.

Podendo essa falta de auto-estima dever-se à falta de bons exemplos, como foi indagado por Tiago Costa, apresentador do programa, Belarmino Van-Dúnem disse não responder pelos erros dos outros. Não tem compromissos com ninguém, não tem casas, não tem nada, e não admite ser colocado na mesma cartola que os outros pelo simples facto de ser do MPLA.

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