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Helt Araújo afirma que “os restaurantes deviam ter a sua própria identidade”

Helt Araújo afirma que “os restaurantes deviam ter a sua própria identidade”
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O cozinheiro angolano Helt Araújo, um dos mais conhecidos e viajados da actualidade, afirmou que “os restaurantes deviam ter a sua própria identidade, para não viverem na mesmice, pois é possível mudar a mentalidade dos consumidores angolanos e não só, à volta da mesa”.

O chef, que já estagiou em diversos restaurantes a nível mundial e que em 2016 criou o menu do jantar de gala na Academia Internacional de Gastronomia, em Paris, no restaurante do Hotel Bistrol, detentor de 3 estrelas Michelini, falava por ocasião da primeira edição do programa de rádio Taça Cheia, conduzido pelo jornalista Sebastião Vemba, quando, questionado sobre qual tem sido a sua experiência com os vinhos ao longo da sua carreira, no que tange à harmonização, disse que, “hoje, os angolanos conseguem beber o vinho com algum conhecimento, pois mudou-se a mentalidade deles”.

Citou que, nas suas instalações, além de servir os pratos, a sua equipa tenta mostrar que, ao pôr à mesa, pode transmitir experiências

“É preciso saber alguma coisa sobre vinhos, é preciso saber fazer a combinação dos vinhos com a comida”, continuou o especialista, referindo que, “em Angola, consome-se mais vinhos tintos, ainda tem havido a mistura dos vinhos com os refrigerantes”, e sente alguma dor quando vê um vinho de grande porte a ser misturado com refrigerante.

Sobre o velho e o novo mundo dos vinhos e onde melhor se posiciona, Helt Araújo entende que hoje em dia, nas nossas raízes, isto implica muito trabalho, até para averiguar o nosso posicionamento. “Mas o novo mundo ainda continua em descoberta.

Para se descobrir novos conhecimentos de produção, tem de se ver se a terra é fértil para a plantação das uvas. Os consumidores devem deixar de beber pelo rótulo, porque assim bebemos mal, quando não conhecemos a ficha técnica do rótulo, pois é importante que se abra a mente para experimentar ainda mais os vinhos do novo mundo. Portanto, é possível fazer grandes vinhos em qualquer parte do mundo, basta ter uma terra fértil”, argumentou.

Partilhando alguns factos da sua trajectória enquanto chefe de cozinha para chegar aonde chegou, o convidado realçou que se chega onde está trabalhando, lembrando que é essencial resgatar o nosso valor, sendo que a gastronomia não é só pratos, é descoberta, é pesquisa, é potencializar o mercado, e “é preciso pensar fora da caixa”.

“Tem-se visto que noventa porcentos dos restaurantes não servem a comida angolana. É preciso explorar os nossos produtos, precisamos ter o sabor de Angola. A nossa essência é transmitida pelo que é nosso. Tem de haver evolução dos nossos produtos e os pratos devem evoluir”, declarou.

Entretanto, revelou que o percurso do jantar da Academia Internacional foi justamente para mostrar o potencial dos nossos produtos, “fazer o que ninguém faz, levar a experiência servindo”, e afirmou ainda que “deveríamos apostar na produção em massa dos nossos produtos, como o óleo de palma”.

Contou, por outro lado, que levou a cultura e a gastronomia africana para serem degustadas pelos estrangeiros, como a jinguenga, o catato, a kissángua, os molhos com óleo de palma, a moamba e outros.

Em 2017, depois de ter sido responsável pelo jantar da Academia Internacional, Angola venceu o festival de gastronomia. O chefe, natural de Benguela, elevou novamente a bandeira do país.

“Foi uma experiencia maravilhosa, foi mais um fruto de trabalho. Foi gratificante mostrar mais uma vez quem somos, a nossa identidade”, concluiu o entrevistado.

O programa Taça Cheia estreou no final do ano passado. É transmitido, aos sábados, pela Rádio Essencial, a partir das 22 horas, 96.1 FM.

*Com Francisca Morais Parente

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Andrade Lino

Jornalista

Estudante de Língua Portuguesa e Comunicação, amante de artes visuais, música e poesia.

O cozinheiro angolano Helt Araújo, um dos mais conhecidos e viajados da actualidade, afirmou que “os restaurantes deviam ter a sua própria identidade, para não viverem na mesmice, pois é possível mudar a mentalidade dos consumidores angolanos e não só, à volta da mesa”.

O chef, que já estagiou em diversos restaurantes a nível mundial e que em 2016 criou o menu do jantar de gala na Academia Internacional de Gastronomia, em Paris, no restaurante do Hotel Bistrol, detentor de 3 estrelas Michelini, falava por ocasião da primeira edição do programa de rádio Taça Cheia, conduzido pelo jornalista Sebastião Vemba, quando, questionado sobre qual tem sido a sua experiência com os vinhos ao longo da sua carreira, no que tange à harmonização, disse que, “hoje, os angolanos conseguem beber o vinho com algum conhecimento, pois mudou-se a mentalidade deles”.

Citou que, nas suas instalações, além de servir os pratos, a sua equipa tenta mostrar que, ao pôr à mesa, pode transmitir experiências

“É preciso saber alguma coisa sobre vinhos, é preciso saber fazer a combinação dos vinhos com a comida”, continuou o especialista, referindo que, “em Angola, consome-se mais vinhos tintos, ainda tem havido a mistura dos vinhos com os refrigerantes”, e sente alguma dor quando vê um vinho de grande porte a ser misturado com refrigerante.

Sobre o velho e o novo mundo dos vinhos e onde melhor se posiciona, Helt Araújo entende que hoje em dia, nas nossas raízes, isto implica muito trabalho, até para averiguar o nosso posicionamento. “Mas o novo mundo ainda continua em descoberta.

Para se descobrir novos conhecimentos de produção, tem de se ver se a terra é fértil para a plantação das uvas. Os consumidores devem deixar de beber pelo rótulo, porque assim bebemos mal, quando não conhecemos a ficha técnica do rótulo, pois é importante que se abra a mente para experimentar ainda mais os vinhos do novo mundo. Portanto, é possível fazer grandes vinhos em qualquer parte do mundo, basta ter uma terra fértil”, argumentou.

Partilhando alguns factos da sua trajectória enquanto chefe de cozinha para chegar aonde chegou, o convidado realçou que se chega onde está trabalhando, lembrando que é essencial resgatar o nosso valor, sendo que a gastronomia não é só pratos, é descoberta, é pesquisa, é potencializar o mercado, e “é preciso pensar fora da caixa”.

“Tem-se visto que noventa porcentos dos restaurantes não servem a comida angolana. É preciso explorar os nossos produtos, precisamos ter o sabor de Angola. A nossa essência é transmitida pelo que é nosso. Tem de haver evolução dos nossos produtos e os pratos devem evoluir”, declarou.

Entretanto, revelou que o percurso do jantar da Academia Internacional foi justamente para mostrar o potencial dos nossos produtos, “fazer o que ninguém faz, levar a experiência servindo”, e afirmou ainda que “deveríamos apostar na produção em massa dos nossos produtos, como o óleo de palma”.

Contou, por outro lado, que levou a cultura e a gastronomia africana para serem degustadas pelos estrangeiros, como a jinguenga, o catato, a kissángua, os molhos com óleo de palma, a moamba e outros.

Em 2017, depois de ter sido responsável pelo jantar da Academia Internacional, Angola venceu o festival de gastronomia. O chefe, natural de Benguela, elevou novamente a bandeira do país.

“Foi uma experiencia maravilhosa, foi mais um fruto de trabalho. Foi gratificante mostrar mais uma vez quem somos, a nossa identidade”, concluiu o entrevistado.

O programa Taça Cheia estreou no final do ano passado. É transmitido, aos sábados, pela Rádio Essencial, a partir das 22 horas, 96.1 FM.

*Com Francisca Morais Parente

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