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Exposição de Klaus Novais mostra quem e o que “É de lá”

Exposição de Klaus Novais mostra quem e o que “É de lá”
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Andrade Lino

Está patente ao público desde o dia 29 do mês passado, no Centro Cultural Brasil – Angola (CCBA), a exposição individual do artista brasileiro Klaus Novais, denominada “É de lá”, que traz cerca de 50 obras produzidas no decorrer de duas décadas.

“É de lá” é uma colectânea dos trabalhos de Klaus Novais, onde ele destaca obras que datam de 2000, mas que não se limitam apenas à pintura. Marca um percurso migratório, de experiências que foi colhendo mudando-se de cidades e às vezes visitando outros países, e assim nos apresenta também desenhos, um amostra daquilo que absorveu no teatro, que nisso compreende a cenografia, a fundamentação de um projecto mais elaborado, e no entanto a exposição não é desenvolvida especialmente para Angola, mas é quase uma retrospectiva destes 32 anos de trabalho muito simbólicos.

“Eu me lembro de quando era criança e ainda não existia essa tecnologia toda, que às vezes você estava assistir à televisão e por alguma falha técnica a TV saía do ar. Dizíamos: “É de lá, o problema é de lá”. Mas a solução também é de lá. Às vezes o melhor que nós temos também vem de outros lugares. No caso do Brasil, a cultura da diáspora africana que chegou e grande parte da maior riqueza que nós temos na música, na dança, etc, vem daqui, mas também é de lá”, explicou, tendo esclarecido que é neste sentido amplo de que nós podemos absorver melhor de cada cultura sem perder também às vezes aquele fio crítico em relação a determinada questões.

Para o também roteirista, cuja primeira exposição foi apresentada em 1987, e que começou o seu percurso no ofício muito jovem, aos 17 anos, e dedica-se desde então às artes, estar em Angola, após essa experiência de ter podido expor no Peru, é uma consequência natural.

“Na pesquisa que eu fiz no Peru sobre a cultura afro-peruana, eu descobri um elemento muito emocionante, muito curioso sobre a história da escravidão no Peru. Há um grande ícone religioso no Peru que se chama “Señor de los milagros”,  que é o “Senhor dos Milagres”. Essa obra é uma pintura que foi feita no século XVII, por um jovem, na parede de um pequeno templo que servia ao culto da diáspora africana. Ele fez essa pintura e sobreviveu a três terremotos que destruíram praticamente a cidade toda e com passar dos séculos  essa obra se tornou um ícone religioso peruano que é considerado a maior processão da América Latina. Reúne mais de 2 milhões de pessoas a cada saída desse santo da parede da igreja. Quando lá estive, foi recepção muito boa, por vários motivos. Primeiro porque nunca um artista estrangeiro tinha retratado esse sentimento tão importante da população afro-peruana que da mesma forma como a diáspora africana é muito importante no Brasil”, revelou Klaus Novais.

Muitos dos elementos mais importantes do Peru vieram da cultura africana, como o instrumento Cajón, feito de madeira e que foi não foi necessariamente lá inventado, mas se fundamentou no país como uma forma que os africanos tinham de fazer percussão sem utilizar instrumentos africanos, conta. Então, eles criaram esse instrumento que é uma caixa de madeira muito simples onde os ritmos são todos reproduzidos ali, a comida peruana é muito conhecida agora, a gastronomia peruana é muito conhecida no mundo todo e é uma das grandes fundadoras dessa é Teresa Esquierdo, membro de uma família de diáspora africana muito importante para a cultura peruana.

Em entrevista à imprensa, continuou, essa cultura não estava sendo retratada em Angola e então precisava dar a conhecer o povo, sentir de perto essa história.

“Esse foi o grande estimulo para chegar até aqui e trazer esse recado de que existe uma cultura da diáspora africana muito importante não só no Brasil, mas também noutro lado no pacifico e que é muito pouco conhecida”, precisou o também literato.

Entretanto, a amostra, que estará patente até ao dia 29 deste mês, celebra a herança cultural africana. Cores, danças, paisagens, personagens de Angola e da diáspora dos povos africanos compõem as vibrantes pinturas e desenhos da mesma.

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Andrade Lino

Jornalista

Estudante de Língua Portuguesa e Comunicação, amante de artes visuais, música e poesia.

Está patente ao público desde o dia 29 do mês passado, no Centro Cultural Brasil – Angola (CCBA), a exposição individual do artista brasileiro Klaus Novais, denominada “É de lá”, que traz cerca de 50 obras produzidas no decorrer de duas décadas.

“É de lá” é uma colectânea dos trabalhos de Klaus Novais, onde ele destaca obras que datam de 2000, mas que não se limitam apenas à pintura. Marca um percurso migratório, de experiências que foi colhendo mudando-se de cidades e às vezes visitando outros países, e assim nos apresenta também desenhos, um amostra daquilo que absorveu no teatro, que nisso compreende a cenografia, a fundamentação de um projecto mais elaborado, e no entanto a exposição não é desenvolvida especialmente para Angola, mas é quase uma retrospectiva destes 32 anos de trabalho muito simbólicos.

“Eu me lembro de quando era criança e ainda não existia essa tecnologia toda, que às vezes você estava assistir à televisão e por alguma falha técnica a TV saía do ar. Dizíamos: “É de lá, o problema é de lá”. Mas a solução também é de lá. Às vezes o melhor que nós temos também vem de outros lugares. No caso do Brasil, a cultura da diáspora africana que chegou e grande parte da maior riqueza que nós temos na música, na dança, etc, vem daqui, mas também é de lá”, explicou, tendo esclarecido que é neste sentido amplo de que nós podemos absorver melhor de cada cultura sem perder também às vezes aquele fio crítico em relação a determinada questões.

Para o também roteirista, cuja primeira exposição foi apresentada em 1987, e que começou o seu percurso no ofício muito jovem, aos 17 anos, e dedica-se desde então às artes, estar em Angola, após essa experiência de ter podido expor no Peru, é uma consequência natural.

“Na pesquisa que eu fiz no Peru sobre a cultura afro-peruana, eu descobri um elemento muito emocionante, muito curioso sobre a história da escravidão no Peru. Há um grande ícone religioso no Peru que se chama “Señor de los milagros”,  que é o “Senhor dos Milagres”. Essa obra é uma pintura que foi feita no século XVII, por um jovem, na parede de um pequeno templo que servia ao culto da diáspora africana. Ele fez essa pintura e sobreviveu a três terremotos que destruíram praticamente a cidade toda e com passar dos séculos  essa obra se tornou um ícone religioso peruano que é considerado a maior processão da América Latina. Reúne mais de 2 milhões de pessoas a cada saída desse santo da parede da igreja. Quando lá estive, foi recepção muito boa, por vários motivos. Primeiro porque nunca um artista estrangeiro tinha retratado esse sentimento tão importante da população afro-peruana que da mesma forma como a diáspora africana é muito importante no Brasil”, revelou Klaus Novais.

Muitos dos elementos mais importantes do Peru vieram da cultura africana, como o instrumento Cajón, feito de madeira e que foi não foi necessariamente lá inventado, mas se fundamentou no país como uma forma que os africanos tinham de fazer percussão sem utilizar instrumentos africanos, conta. Então, eles criaram esse instrumento que é uma caixa de madeira muito simples onde os ritmos são todos reproduzidos ali, a comida peruana é muito conhecida agora, a gastronomia peruana é muito conhecida no mundo todo e é uma das grandes fundadoras dessa é Teresa Esquierdo, membro de uma família de diáspora africana muito importante para a cultura peruana.

Em entrevista à imprensa, continuou, essa cultura não estava sendo retratada em Angola e então precisava dar a conhecer o povo, sentir de perto essa história.

“Esse foi o grande estimulo para chegar até aqui e trazer esse recado de que existe uma cultura da diáspora africana muito importante não só no Brasil, mas também noutro lado no pacifico e que é muito pouco conhecida”, precisou o também literato.

Entretanto, a amostra, que estará patente até ao dia 29 deste mês, celebra a herança cultural africana. Cores, danças, paisagens, personagens de Angola e da diáspora dos povos africanos compõem as vibrantes pinturas e desenhos da mesma.

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