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Exposição “Angola Janga” conta história de resistência à escravidão no Brasil colonial

Exposição “Angola Janga” conta história de resistência à escravidão no Brasil colonial
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O Centro Cultural Brasil – Angola, de 28 de Junho a 11 de Agosto próximo, vai acolher, nas suas instalações, a exposição “Angola Janga”, do ilustrador brasileiro Marcelo D’Salete, baseada no premiado trabalho de banda desenhada de mesmo nome, num evento que inclui também games, oficinas e palestras.

Um dos capítulos mais pungentes da história dos povos africanos deslocados ao Novo Mundo - a saga de Palmares e de seu principal líder, Zumbi – é o tema da exposição “Angola Janga”, que vai contar ainda com os impactantes recursos gráficos das bandas desenhadas, evidenciando a contribuição das populações de origem africana para a formação política, económica e sócio-cultural do Brasil e traz à reflexão seus desdobramentos até os dias actuais. 

“Angola Janga” ou a “pequena Angola” é o codinome do quilombo dos Palmares, principal foco de resistência à escravidão no Brasil colonial. Formado em fins do século XVI, em Pernambuco, por sucessivas levas de foragidos dos engenhos de açúcar, Palmares constituiu, por mais de cem anos, um verdadeiro reino africano em terras brasileiras, resistindo às forças coloniais portuguesas e holandesas. A data da morte de Zumbi dos Palmares viria a tornar-se o “Dia Nacional da Consciência Negra”, celebrado anualmente no Brasil.

Excepcional trabalho de ficção, fundamentado em profunda pesquisa histórica, a amostra cristaliza onze anos de dedicação do cartunista e professor Marcelo D'Salete, agraciado em 2018 com o prêmio Jabuti, um dos mais relevantes do universo editorial brasileiro, na categoria “histórias em quadrinhos” (HQ) – denominação da "banda desenhada" no Brasil – e com o troféu HQ Mix, de acordo com o comunicado enviado ao ONgoma News. Tais premiações vêm juntar-se ao prêmio Eisner, conhecido como o “Oscar das bandas desenhadas”, conferido a D´Salete em 2018 por “Cumbe”. Ambas obras contam já com traduções em diversas línguas.

A exposição, trazido a Angola pela Embaixada do Brasil, insere-se no Projecto “Brasil em Quadrinhos”, idealizado pelo Ministério das Relações Exteriores do País-irmão, em parceria com a Bienal de Quadrinhos de Curitiba. O projecto visa a fomentar o gosto pela leitura e promover a literatura em língua portuguesa, utilizando-se da capacidade das bandas desenhadas de contar histórias relevantes de forma lúdica e facilmente compreensível por públicos de todas as idades.

A produção de bandas desenhadas vive momento de efervescência no Brasil, com o lançamento de grande multiplicidade de títulos, crescente peso no contexto da indústria criativa e contínuo reconhecimento internacional, refere ainda o comunicado.

Nesse sentido, “Angola Janga” e o projecto “Brasil em Quadrinhos” buscam também fomentar o intercâmbio entre artistas e apreciadores da “nona arte” do Brasil e de Angola.

Para além da presença de Marcelo D’Salete – que estará em Luanda, na segunda quinzena de Julho, para uma série de oficinas, palestras e entrevistas – está prevista a participação de renomados cartunistas angolanos, a ser anunciada em breve.

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Andrade Lino

Jornalista

Estudante de Língua Portuguesa e Comunicação, amante de artes visuais, música e poesia.

O Centro Cultural Brasil – Angola, de 28 de Junho a 11 de Agosto próximo, vai acolher, nas suas instalações, a exposição “Angola Janga”, do ilustrador brasileiro Marcelo D’Salete, baseada no premiado trabalho de banda desenhada de mesmo nome, num evento que inclui também games, oficinas e palestras.

Um dos capítulos mais pungentes da história dos povos africanos deslocados ao Novo Mundo - a saga de Palmares e de seu principal líder, Zumbi – é o tema da exposição “Angola Janga”, que vai contar ainda com os impactantes recursos gráficos das bandas desenhadas, evidenciando a contribuição das populações de origem africana para a formação política, económica e sócio-cultural do Brasil e traz à reflexão seus desdobramentos até os dias actuais. 

“Angola Janga” ou a “pequena Angola” é o codinome do quilombo dos Palmares, principal foco de resistência à escravidão no Brasil colonial. Formado em fins do século XVI, em Pernambuco, por sucessivas levas de foragidos dos engenhos de açúcar, Palmares constituiu, por mais de cem anos, um verdadeiro reino africano em terras brasileiras, resistindo às forças coloniais portuguesas e holandesas. A data da morte de Zumbi dos Palmares viria a tornar-se o “Dia Nacional da Consciência Negra”, celebrado anualmente no Brasil.

Excepcional trabalho de ficção, fundamentado em profunda pesquisa histórica, a amostra cristaliza onze anos de dedicação do cartunista e professor Marcelo D'Salete, agraciado em 2018 com o prêmio Jabuti, um dos mais relevantes do universo editorial brasileiro, na categoria “histórias em quadrinhos” (HQ) – denominação da "banda desenhada" no Brasil – e com o troféu HQ Mix, de acordo com o comunicado enviado ao ONgoma News. Tais premiações vêm juntar-se ao prêmio Eisner, conhecido como o “Oscar das bandas desenhadas”, conferido a D´Salete em 2018 por “Cumbe”. Ambas obras contam já com traduções em diversas línguas.

A exposição, trazido a Angola pela Embaixada do Brasil, insere-se no Projecto “Brasil em Quadrinhos”, idealizado pelo Ministério das Relações Exteriores do País-irmão, em parceria com a Bienal de Quadrinhos de Curitiba. O projecto visa a fomentar o gosto pela leitura e promover a literatura em língua portuguesa, utilizando-se da capacidade das bandas desenhadas de contar histórias relevantes de forma lúdica e facilmente compreensível por públicos de todas as idades.

A produção de bandas desenhadas vive momento de efervescência no Brasil, com o lançamento de grande multiplicidade de títulos, crescente peso no contexto da indústria criativa e contínuo reconhecimento internacional, refere ainda o comunicado.

Nesse sentido, “Angola Janga” e o projecto “Brasil em Quadrinhos” buscam também fomentar o intercâmbio entre artistas e apreciadores da “nona arte” do Brasil e de Angola.

Para além da presença de Marcelo D’Salete – que estará em Luanda, na segunda quinzena de Julho, para uma série de oficinas, palestras e entrevistas – está prevista a participação de renomados cartunistas angolanos, a ser anunciada em breve.

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