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“Eu não detesto política. Para mim, é o maior assunto que existe no mundo”, afirma Pedro N´zagi

“Eu não detesto política. Para mim, é o maior assunto que existe no mundo”, afirma Pedro N´zagi
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Andrade Lino

O apresentador de televisão, Pedro N´zagi, afirmou que não detesta politica porque para si é o maior assunto que existe no mundo, tendo acrescentado que, porém, durante toda a sua carreira, uma das suas grandes lutas foi fazer o humor.

“As pessoas olham para o humor como que tivesse que ser política, mas não, o humor é simplesmente “humorismo”, contra a ideia generalista”, disse o então apresentador do Hora Quente, da antiga grelha de programação da TPA 2, que foi o segundo convidado do Goz´aqui, neste ano.

“O humor de Angola é aquele do bairro e fui muito reportado por isso: teatro interventivo, e achavam que falar de politica era uma ofensa. Os portugueses, por exemplo, usam muito escárnio. Eles estão habituados a todo mundo ser rei, presidente, gozam com a figura, enquanto nós fazemos em off, mas acho que podemos fazer publicamente, só que parece que ainda continuamos colonizados”, considerou Pedro N´zagi, tendo explicado que a sua personalidade, enquanto apresentador do canal 2 da Televisão Pública de Angola, nunca lhe permitiu que tratasse desses assuntos, “mas também já estava cansado do Hora Quente, não do  programa  em si, mas da falta de aposta no mesmo”.

“Começou a ser um programa muito aborrecido e dependia muito de mim e maior parte do tempo tinha que fazer palhaçadas para poder manter o programa dentro da expectativa das pessoas, as pessoas gostavam do programa e esperavam uma gargalhada e a gargalhada nem sempre tem que ser física e apesar de ter gostado de agradar os telespectadores, o HQ não podia ter sobrevivido só por mim, pois havia muitos convidados”, desabafou, e acrescentou ainda que só quando saiu “daquele cadeirão” é que se mudou o cenário.

A meio da conversa que teve com o fundador do espectáculo de humor (Goz´aqui), Tiago Costa, elogiou o trabalho que o mesmo tem feito. “Em casa, sou do tipo de fazer muitos disparates, falo asneiras, mas no humor, para o público, eu não  consigo”, revelou o também humorista, tendo realçado que isso faz parte da sua postura e  forma de ser, se calhar por ter vivido muito no meio de  mulheres, como a sua mãe, de quem ouviu tanto disparates e avisos.

Além de Tiago Costa, felicitou também o humorista Agente Formiga, quem ele considera muito talentoso pelo trabalho que está a fazer, e acredita que “devemos nos firmar no humor de muitas outras formas”.

Um malangino com orgulho das suas origens

“Eu tenho orgulho por viver as minhas origens: Malange!”, afirmou o convidado, que contou entretanto que o Porto, onde fez a sua formação musical, foi muito importante para si, acima de tudo a nível da comunicação, sendo que a sua estratégia racional ao longo dos anos foi muito baseada nas suas vivências.

“Porque por chegar numa cidade, começar a falar com o português de Portugal, na velocidade com que eles falam e a quantidade de asneiras, e eu não entendia nada, e eu aprendi muito com aquilo. Quando chego a Angola, e das outras coisas que eu fiz fui parar ao Miami por varias razões, fazia músicas e Stand Up Comedy, eu misturava tudo que eu vivi fora e dentro de Angola, aquilo que eu sabia e que eu lembrava e àquilo as pessoas foram achando piada. Com o passar do tempo, vou parar à rádio, trabalhei na LAC, Rádio Luanda, recebi convites para participar no Conversas no Quintal, pude apresentar vários espectáculos, as pessoas gostavam e achavam diferente a forma não conservadora de eu apresentar os espectáculos, e depois de apresentar vários programas, recebo o convite da Tchizé para abraçar o projecto de regulação do canal 2. Começo a apresentar então o Hora Quente e a crítica da comunicação social que recebo foi: “É impossível, fazer isso dentro da televisão não se pode. Palhaço! Maluco! Mas eu continuei o meu trabalho e muitos disseram que esse não duraria 6 meses”, contou, tendo declarado que sempre lutou muito para melhorar as condições da Semba e “foi uma nova página da televisão angolana”.

“Saí porque eu quis e não é assim que eu queria ser, e obviamente sempre fui forte em vários problemas, problemas de poder voltar a trabalhar, com o valor humano acima de tudo, na produção, e decidi ir-me embora, porque já tinha algumas propostas à mesa, e como sou teimoso, voltei para trabalhar na Banda TV, onde dirigi três programas”, explicou.

O ainda músico, “muito sinceramente”, confessou que nunca procurou a fama, foi sempre uma coisa muito natural em si. “Dei-me bem na comunicação social, gosto de entretenimento, embora não seja um assíduo frequentador das famílias, sou cristão e acho que fui abençoado por muitos talentos, sem qualquer tipo de hipocrisia, isso eu aprendi do meio inserido, eu não aprendi tocar música nas escolas, aprendi sozinho”, disse.

A entrada para a Zap

“Quando eu recebo o convite da Zap, para o programa “Tudo ou Nada”, com a Lesliana Pereira”, não foi o primeiro, porque tinha recebido o convite da Zimbo, e é natural que se fosse para lá eu seria a estrela maior. Todavia, aceitei o desafio da Zap, exactamente por ser um desafio, porque há muito espaço para o humor, desde que se faça bem e depois se ganhe público”, revelou Pedro, que disse por conseguinte que o que lhe dá prazer é fazer coisas diferentes, isso para si é como combustível para a alma.

Por fim, falou dos momentos prazerosos que viveu, designadamente o facto de já ter conduzido “mais de 2001 entrevistas, desde Toy limpa chão, Marcelo Rebelo, Pelé, Dani Cleide”, enfim.

“Além das entrevistas, outro grande momento foi o lançamento internacional da TPA, que eu apresentei, sozinho, foi uma gala muito difícil, muito complicada, foram três horas e pouco lá em fronteira e foi muito marcante, para mim, essa actividade”, finalizou.

 

 

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Andrade Lino

Jornalista

Estudante de Língua Portuguesa e Comunicação, amante de artes visuais, música e poesia.

O apresentador de televisão, Pedro N´zagi, afirmou que não detesta politica porque para si é o maior assunto que existe no mundo, tendo acrescentado que, porém, durante toda a sua carreira, uma das suas grandes lutas foi fazer o humor.

“As pessoas olham para o humor como que tivesse que ser política, mas não, o humor é simplesmente “humorismo”, contra a ideia generalista”, disse o então apresentador do Hora Quente, da antiga grelha de programação da TPA 2, que foi o segundo convidado do Goz´aqui, neste ano.

“O humor de Angola é aquele do bairro e fui muito reportado por isso: teatro interventivo, e achavam que falar de politica era uma ofensa. Os portugueses, por exemplo, usam muito escárnio. Eles estão habituados a todo mundo ser rei, presidente, gozam com a figura, enquanto nós fazemos em off, mas acho que podemos fazer publicamente, só que parece que ainda continuamos colonizados”, considerou Pedro N´zagi, tendo explicado que a sua personalidade, enquanto apresentador do canal 2 da Televisão Pública de Angola, nunca lhe permitiu que tratasse desses assuntos, “mas também já estava cansado do Hora Quente, não do  programa  em si, mas da falta de aposta no mesmo”.

“Começou a ser um programa muito aborrecido e dependia muito de mim e maior parte do tempo tinha que fazer palhaçadas para poder manter o programa dentro da expectativa das pessoas, as pessoas gostavam do programa e esperavam uma gargalhada e a gargalhada nem sempre tem que ser física e apesar de ter gostado de agradar os telespectadores, o HQ não podia ter sobrevivido só por mim, pois havia muitos convidados”, desabafou, e acrescentou ainda que só quando saiu “daquele cadeirão” é que se mudou o cenário.

A meio da conversa que teve com o fundador do espectáculo de humor (Goz´aqui), Tiago Costa, elogiou o trabalho que o mesmo tem feito. “Em casa, sou do tipo de fazer muitos disparates, falo asneiras, mas no humor, para o público, eu não  consigo”, revelou o também humorista, tendo realçado que isso faz parte da sua postura e  forma de ser, se calhar por ter vivido muito no meio de  mulheres, como a sua mãe, de quem ouviu tanto disparates e avisos.

Além de Tiago Costa, felicitou também o humorista Agente Formiga, quem ele considera muito talentoso pelo trabalho que está a fazer, e acredita que “devemos nos firmar no humor de muitas outras formas”.

Um malangino com orgulho das suas origens

“Eu tenho orgulho por viver as minhas origens: Malange!”, afirmou o convidado, que contou entretanto que o Porto, onde fez a sua formação musical, foi muito importante para si, acima de tudo a nível da comunicação, sendo que a sua estratégia racional ao longo dos anos foi muito baseada nas suas vivências.

“Porque por chegar numa cidade, começar a falar com o português de Portugal, na velocidade com que eles falam e a quantidade de asneiras, e eu não entendia nada, e eu aprendi muito com aquilo. Quando chego a Angola, e das outras coisas que eu fiz fui parar ao Miami por varias razões, fazia músicas e Stand Up Comedy, eu misturava tudo que eu vivi fora e dentro de Angola, aquilo que eu sabia e que eu lembrava e àquilo as pessoas foram achando piada. Com o passar do tempo, vou parar à rádio, trabalhei na LAC, Rádio Luanda, recebi convites para participar no Conversas no Quintal, pude apresentar vários espectáculos, as pessoas gostavam e achavam diferente a forma não conservadora de eu apresentar os espectáculos, e depois de apresentar vários programas, recebo o convite da Tchizé para abraçar o projecto de regulação do canal 2. Começo a apresentar então o Hora Quente e a crítica da comunicação social que recebo foi: “É impossível, fazer isso dentro da televisão não se pode. Palhaço! Maluco! Mas eu continuei o meu trabalho e muitos disseram que esse não duraria 6 meses”, contou, tendo declarado que sempre lutou muito para melhorar as condições da Semba e “foi uma nova página da televisão angolana”.

“Saí porque eu quis e não é assim que eu queria ser, e obviamente sempre fui forte em vários problemas, problemas de poder voltar a trabalhar, com o valor humano acima de tudo, na produção, e decidi ir-me embora, porque já tinha algumas propostas à mesa, e como sou teimoso, voltei para trabalhar na Banda TV, onde dirigi três programas”, explicou.

O ainda músico, “muito sinceramente”, confessou que nunca procurou a fama, foi sempre uma coisa muito natural em si. “Dei-me bem na comunicação social, gosto de entretenimento, embora não seja um assíduo frequentador das famílias, sou cristão e acho que fui abençoado por muitos talentos, sem qualquer tipo de hipocrisia, isso eu aprendi do meio inserido, eu não aprendi tocar música nas escolas, aprendi sozinho”, disse.

A entrada para a Zap

“Quando eu recebo o convite da Zap, para o programa “Tudo ou Nada”, com a Lesliana Pereira”, não foi o primeiro, porque tinha recebido o convite da Zimbo, e é natural que se fosse para lá eu seria a estrela maior. Todavia, aceitei o desafio da Zap, exactamente por ser um desafio, porque há muito espaço para o humor, desde que se faça bem e depois se ganhe público”, revelou Pedro, que disse por conseguinte que o que lhe dá prazer é fazer coisas diferentes, isso para si é como combustível para a alma.

Por fim, falou dos momentos prazerosos que viveu, designadamente o facto de já ter conduzido “mais de 2001 entrevistas, desde Toy limpa chão, Marcelo Rebelo, Pelé, Dani Cleide”, enfim.

“Além das entrevistas, outro grande momento foi o lançamento internacional da TPA, que eu apresentei, sozinho, foi uma gala muito difícil, muito complicada, foram três horas e pouco lá em fronteira e foi muito marcante, para mim, essa actividade”, finalizou.

 

 

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