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“Com um país deste, continuamos a comer do contentor”, lamenta Filomena Oliveira

“Com um país deste, continuamos a comer do contentor”, lamenta Filomena Oliveira
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Andrade Lino

A empresária Filomena Oliveira lamenta o facto de a taxa de desemprego continuar a aumentar, sobretudo as médias e pequenas empresas estarem a fechar, e não entende como é que “com um país deste continuamos a comer do contentor, quando vemos 2.000.000 famílias camponesas e que, segundo o ministro da Agricultura, produzem cerca de 70% daquilo que nós comemos”.

A também activista social, que foi uma das convidadas da edição deste mês do Goza TV, promovida pela plataforma humorística Goz´Aqui, no Camões – Centro Cultural Português,  disse ainda que não consegue entender como é que o nosso país continua a importar carne, todos os meses de todos os anos.

“Anteriormente, eram 52 milhões USD e agora são 84 milhões USD de carne, quando temos uma seca no sul do país e bastava, num mês, com 84 milhões USD, conseguirmos trazer aquele gado para o local dos vaidosos do gado que é a Camabatela, onde não fazem grandes coisas, mas há muito capim”, referiu.

Adiante, realçou que “o nosso PIB está acima da média da região, por uma questão muito simples – petróleo – mas, infelizmente, todo o nosso petróleo está adjudicado ao pagamento de uma dívida que absorve mais de 90% deste próprio PIB, e o que significa que ele não tem qualquer impacto socio-económico no nosso país, e continuamos a ser um país subdesenvolvido”.

Filomena Oliveira explicou que a questão está na nossa (falta de) capacidade de gestão, e qualquer projecto é viável desde que tenha um princípio, meio e fim, desde que seja feito o estudo do impacto, da implementação, das necessidades e a quem eles vão ser dirigidos, a quem vão executar o programa, a análise daquilo que os são riscos, uma capacidade tremenda de ir ajustando à medida que se tem de concluir o projecto com sucesso.

Por exemplo, citou, a África do Sul tem 3.600 gestores de projectos, a Coreia do Sul tem 11.000, os EUA têm 150.000, mas Angola possui apenas 17 gestores de projectos certificados. “Nós podemos compreender o porquê de aquelas fazendas falharem, o porquê de as nossas leis falharem, porque elas também são projectos, por que que não conseguimos realizar nem sequer aquilo que está cabimentado no nosso Orçamento Geral do Estado, porque temos má gestão e no final tem que haver outra coisa, que é a responsabilização”, observou.

O problema em Angola até não é a corrupção, disse, mas a falta de capacidade de gestão e impunidade.

“Na realidade, todos somos coniventes com tudo isso, porque ser Estado é pertencer a uma nação, uma pátria. E se você estiver lá de forma passiva, então ninguém se queixa de coisa nenhuma e você está bem”, criticou.  

Quanto à implementação do IVA, observa que nenhum país numa crise profunda se atreveu  a implementar o IVA. “A pergunta é: Sabemos quanto custa importar da SADC esses produtos cujo protocolo agora estamos a implementar?”, questionou.

A ainda vice-Presidente da Confederação Empresarial Angolana disse que nós não queremos desmamar do petróleo. “Nós fizemos o nosso  Orçamento Geral do Estado baseado numa previsão, também baseado numa previsão do comportamento do preço do petróleo que não aconteceu e fomos obrigados a fazer revisão. Ao fazermos a revisão, em vez de reduzirmos as nossas despesas massivas em coisas que o Estado usa, fomos reduzir no investimento público, mas este investimento público é uma condição “sine qua non” para que pelo menos no sonho nós consigamos diminuir as assimetrias municipais e regionais. Esse é um assunto. O outro assunto é: Por que que foram buscar aquele dinheiro (empréstimo do FMI)? Eu acho que o parlamento é quem pode explicar, porque o pagamento é quem aprovou aqueles fundos”, abordou.

Por fim, contestou o sistema de educação, “cujos conteúdos são um horror, pois estão desconectados da nossa realidade socio-económica”.

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Andrade Lino

Jornalista

Estudante de Língua Portuguesa e Comunicação, amante de artes visuais, música e poesia.

A empresária Filomena Oliveira lamenta o facto de a taxa de desemprego continuar a aumentar, sobretudo as médias e pequenas empresas estarem a fechar, e não entende como é que “com um país deste continuamos a comer do contentor, quando vemos 2.000.000 famílias camponesas e que, segundo o ministro da Agricultura, produzem cerca de 70% daquilo que nós comemos”.

A também activista social, que foi uma das convidadas da edição deste mês do Goza TV, promovida pela plataforma humorística Goz´Aqui, no Camões – Centro Cultural Português,  disse ainda que não consegue entender como é que o nosso país continua a importar carne, todos os meses de todos os anos.

“Anteriormente, eram 52 milhões USD e agora são 84 milhões USD de carne, quando temos uma seca no sul do país e bastava, num mês, com 84 milhões USD, conseguirmos trazer aquele gado para o local dos vaidosos do gado que é a Camabatela, onde não fazem grandes coisas, mas há muito capim”, referiu.

Adiante, realçou que “o nosso PIB está acima da média da região, por uma questão muito simples – petróleo – mas, infelizmente, todo o nosso petróleo está adjudicado ao pagamento de uma dívida que absorve mais de 90% deste próprio PIB, e o que significa que ele não tem qualquer impacto socio-económico no nosso país, e continuamos a ser um país subdesenvolvido”.

Filomena Oliveira explicou que a questão está na nossa (falta de) capacidade de gestão, e qualquer projecto é viável desde que tenha um princípio, meio e fim, desde que seja feito o estudo do impacto, da implementação, das necessidades e a quem eles vão ser dirigidos, a quem vão executar o programa, a análise daquilo que os são riscos, uma capacidade tremenda de ir ajustando à medida que se tem de concluir o projecto com sucesso.

Por exemplo, citou, a África do Sul tem 3.600 gestores de projectos, a Coreia do Sul tem 11.000, os EUA têm 150.000, mas Angola possui apenas 17 gestores de projectos certificados. “Nós podemos compreender o porquê de aquelas fazendas falharem, o porquê de as nossas leis falharem, porque elas também são projectos, por que que não conseguimos realizar nem sequer aquilo que está cabimentado no nosso Orçamento Geral do Estado, porque temos má gestão e no final tem que haver outra coisa, que é a responsabilização”, observou.

O problema em Angola até não é a corrupção, disse, mas a falta de capacidade de gestão e impunidade.

“Na realidade, todos somos coniventes com tudo isso, porque ser Estado é pertencer a uma nação, uma pátria. E se você estiver lá de forma passiva, então ninguém se queixa de coisa nenhuma e você está bem”, criticou.  

Quanto à implementação do IVA, observa que nenhum país numa crise profunda se atreveu  a implementar o IVA. “A pergunta é: Sabemos quanto custa importar da SADC esses produtos cujo protocolo agora estamos a implementar?”, questionou.

A ainda vice-Presidente da Confederação Empresarial Angolana disse que nós não queremos desmamar do petróleo. “Nós fizemos o nosso  Orçamento Geral do Estado baseado numa previsão, também baseado numa previsão do comportamento do preço do petróleo que não aconteceu e fomos obrigados a fazer revisão. Ao fazermos a revisão, em vez de reduzirmos as nossas despesas massivas em coisas que o Estado usa, fomos reduzir no investimento público, mas este investimento público é uma condição “sine qua non” para que pelo menos no sonho nós consigamos diminuir as assimetrias municipais e regionais. Esse é um assunto. O outro assunto é: Por que que foram buscar aquele dinheiro (empréstimo do FMI)? Eu acho que o parlamento é quem pode explicar, porque o pagamento é quem aprovou aqueles fundos”, abordou.

Por fim, contestou o sistema de educação, “cujos conteúdos são um horror, pois estão desconectados da nossa realidade socio-económica”.

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