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“Ainda há insuficiência de material para a actividade artística”, lamenta Pelenda

“Ainda há insuficiência de material para a actividade artística”, lamenta Pelenda
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Andrade Lino

O artista plástico angolano Pelenda lamentou o facto de ainda haver insuficiência de material para a actividade artística em Angola, acreditando que “os artistas têm criado muito, mas ainda assim há escassez de material para que se dê continuidade aos seus projectos”.

Falando por ocasião da exposição colectiva de artes plásticas “Ler Saramago pela Arte”, terceira edição do projecto Literarte, patente no Camões - Centro Cultural Português desde o dia 19 deste mês, de que é participante, o pintor continuou que se precisa de mais material no país, como forma de ajudar mais os artistas no processo de criação e fomento das suas actividades com a arte, mas reconheceu já haver algum envolvimento da sociedade para mudar o paradigma, em termos de impacto.

De nome próprio Soque Pelenda Marques, o artista, questionado sobre como olha para a oferta de infra-estruturas nas artes, afirmou que cada artista particularmente tem feito a sua parte e positivamente contribuído para a cultura nacional, mas “a própria cultura deve colaborar com os artistas”. “Não que não exista uma colaboração, mas precisamos de mais, porque eu como artista sinto que ainda não é muito abrangente a divulgação, a entrega da cultura para a arte propriamente angolana. Então precisamos fazer mais, nós, os artistas, e a própria cultura”, defendeu, em entrevista exclusiva ao ONgoma News, tendo sustentado que “a arte permite uma colaboração para a mudança e um processo de união”, numa altura em que “a nossa sociedade está meio tensa e ainda existem muitas divergências”.

Ainda questionado sobre como analisa a possibilidade de (se) viver da arte, a fonte disse que “isso depende muito da interpretação de cada um”. No contexto financeiro, realçou Pelenda, depende muito da gestão. “Nós, os artistas, dizemos muito que a arte não dá muito dinheiro, eu posso pedir e devo pedir mais ao nosso Governo pela divulgação desta área, mas no contexto financeiro depende muito da nossa gestão”, defendeu, relevando entretanto que a arte em si é bem recebida em Angola e “é possível ver alguma coisa”.

Por outro lado, acredita haver alguma motivação por parte do Governo no sentido, por intermédio do sector da Cultura, mas afirma serem acções raramente fiscalizadas, sendo a favor de processos mais rigorosos.

Então, em relação à exposição, que fica exibida até o dia 2 de Agosto, o entrevistado revelou que foi para si um espanto receber o convite para participar no projecto, o que o deixou muito feliz. Segundo expressou, sabia no momento que poderia contribuir com alguma coisa diferente. Foi um espanto, mas saudável, receber o convite, reforçou.

Contou que nas suas obras usa muito o contexto do que será a sociedade daqui a mais alguns anos. “Dentro das minhas obras eu trago os pontos negativos do que nós vivemos, coisas que não têm muita relevância, as pessoas sabem mas ignoram. Nós, os artistas, como seres humanos que somos, devemos promover a aproximação das pessoas, tanto faz no âmbito espiritual como na vida social, e eu me baseio muito no quotidiano, focando por exemplo nalgo que me preocupa muito, que é a questão do abandono social, propriamente das crianças”, explicou. 

Por fim, o artista disse que não vai parar, pois espera levar o nome da arte angolana para outras realidades e contribuir com pontos que acredita serem saudáveis, e quer ainda que as pessoas possam entender a mensagem das suas obras, tão logo olhem para elas.

*Com Ylson Menezes

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Andrade Lino

Jornalista

Estudante de Língua Portuguesa e Comunicação, amante de artes visuais, música e poesia.

O artista plástico angolano Pelenda lamentou o facto de ainda haver insuficiência de material para a actividade artística em Angola, acreditando que “os artistas têm criado muito, mas ainda assim há escassez de material para que se dê continuidade aos seus projectos”.

Falando por ocasião da exposição colectiva de artes plásticas “Ler Saramago pela Arte”, terceira edição do projecto Literarte, patente no Camões - Centro Cultural Português desde o dia 19 deste mês, de que é participante, o pintor continuou que se precisa de mais material no país, como forma de ajudar mais os artistas no processo de criação e fomento das suas actividades com a arte, mas reconheceu já haver algum envolvimento da sociedade para mudar o paradigma, em termos de impacto.

De nome próprio Soque Pelenda Marques, o artista, questionado sobre como olha para a oferta de infra-estruturas nas artes, afirmou que cada artista particularmente tem feito a sua parte e positivamente contribuído para a cultura nacional, mas “a própria cultura deve colaborar com os artistas”. “Não que não exista uma colaboração, mas precisamos de mais, porque eu como artista sinto que ainda não é muito abrangente a divulgação, a entrega da cultura para a arte propriamente angolana. Então precisamos fazer mais, nós, os artistas, e a própria cultura”, defendeu, em entrevista exclusiva ao ONgoma News, tendo sustentado que “a arte permite uma colaboração para a mudança e um processo de união”, numa altura em que “a nossa sociedade está meio tensa e ainda existem muitas divergências”.

Ainda questionado sobre como analisa a possibilidade de (se) viver da arte, a fonte disse que “isso depende muito da interpretação de cada um”. No contexto financeiro, realçou Pelenda, depende muito da gestão. “Nós, os artistas, dizemos muito que a arte não dá muito dinheiro, eu posso pedir e devo pedir mais ao nosso Governo pela divulgação desta área, mas no contexto financeiro depende muito da nossa gestão”, defendeu, relevando entretanto que a arte em si é bem recebida em Angola e “é possível ver alguma coisa”.

Por outro lado, acredita haver alguma motivação por parte do Governo no sentido, por intermédio do sector da Cultura, mas afirma serem acções raramente fiscalizadas, sendo a favor de processos mais rigorosos.

Então, em relação à exposição, que fica exibida até o dia 2 de Agosto, o entrevistado revelou que foi para si um espanto receber o convite para participar no projecto, o que o deixou muito feliz. Segundo expressou, sabia no momento que poderia contribuir com alguma coisa diferente. Foi um espanto, mas saudável, receber o convite, reforçou.

Contou que nas suas obras usa muito o contexto do que será a sociedade daqui a mais alguns anos. “Dentro das minhas obras eu trago os pontos negativos do que nós vivemos, coisas que não têm muita relevância, as pessoas sabem mas ignoram. Nós, os artistas, como seres humanos que somos, devemos promover a aproximação das pessoas, tanto faz no âmbito espiritual como na vida social, e eu me baseio muito no quotidiano, focando por exemplo nalgo que me preocupa muito, que é a questão do abandono social, propriamente das crianças”, explicou. 

Por fim, o artista disse que não vai parar, pois espera levar o nome da arte angolana para outras realidades e contribuir com pontos que acredita serem saudáveis, e quer ainda que as pessoas possam entender a mensagem das suas obras, tão logo olhem para elas.

*Com Ylson Menezes

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