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A situação política actual e a “dormência” do Hip-Hop angolano analisada por rappers

A situação política actual e a “dormência”  do Hip-Hop angolano analisada por rappers
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No último domingo, 6 de Maio, o Cine Atlântico acolheu o show “Proibido Ver Isso” de MCK, um concerto que voltou a reunir os grandes nomes do movimento hip-hop nacional e internacional, destacando-se a presença de Valete, de Portugal; e Azagaia, de Moçambique; Flagelo Urbano; Eva Rap Diva; Girinha, Miss Skills; Lizzy; Vanda Mãe Grande; além do anfitrião MCK, todos de Angola.

No local, o ONgoma News conversou com alguns rappers nacionais, que mostraram descontentamento  pela ausência de dinamismo no hip-hop nacional, elencando “a dormência, pouca transformação social e mensagens” negativas, além da procura pela fama como as principais características actuais da música rap em Angola.

Xtremo Signo, integrante do grupo Elenco de Luxo, considera que existir uma certa fragilidade no hip-hop nacional e um certo aproveitamento de rappers que, do seu ponto de vista, põem em causa a saúde do movimento. “Eu vejo que há dormência, tem alguma coisa ‘malaike’ (má), há muito produto podre e também há bom produto, mas o movimento está vivo. Nunca esteve tão diversificado quanto agoramas é mesmo assim, não existe Alpha sem Ómega, tem um sim e um não, então o rap também é assim. Tem os bons e os maus rappers”, observou.

Para Flagelo Urbano, o estilo encontra-se num momento em que os fazedores estão mais preocupados com a fama do que a intervenção social, mensagens e a consciencialização das pessoas através da música. “O Hip Hop nacional está num ambiente em que as pessoas estão mais preocupadas com o que vai tocar, as festas do que aquilo que são os problemas do país. Poucos artistas escrevem sobre o problema do país, mas devemos resgatar este ambiente, devemos ter uma nova visão e um novo modo de olhar os problemas para ajudarmos a melhorar as coisas”, disse, acrescentado que é preciso a intervenção, ademais, “não se deve apenas criticar as acções do Governo, mas também tem-se que procurar soluções”, pois "o Governo precisa ser nosso parceiro”, continuou.

Segundo MCK, “o  hip-hop nacional perdeu em profundidade aquilo que ganhou em extensão porque são muitos artistas hoje, mas um número reduzido daqueles que estão preocupados com a palavra, mensagens e com a transformação social”, afirmou.

Outro artista contactado pelo ONgoma News é Fly Skuad, que tem estado distante do microfone, mas que afirma ser complicado falar sobre o estado actual do movimento, “uma vez que de um lado está a nova geração a trabalhar conforme deve ser feito, na óptica da dinâmica do estilo, mas, por outro, está o tradicional hip-hop a desaparecer”. Para ele, “é difícil dar uma pontuação ao hip-hop nacional, se é negativo ou positivo, pois é a mudança dos tempos. Devemos compreender que as gerações sofrem algumas alterações, nem todas elas são saudáveis ou positivas, é um processo natural das coisas. O rap está como está, uns a trabalharem e outros a olharem, mas devemos continuar a dinamizar o movimento”, defendeu.

Todavia, do ponto de vista do ambiente político na música e arte, Fly Squad afirma que “a implementação das políticas do Estado não permitem uma manifestação artística livre, o que condiciona a realização de mais shows e o surgimento de mais artistas do estilo rap”, ademais, acrescentou, “as políticas que implementaram para de alguma forma combater este tipo de arte foram eficientes, por isso muitos de nós ficaram calados por algum receio. Olhando para aquilo que é o horizonte que a situação política actual nos permite ver, acho que cada um vai  fazendo o que pode, vamos ver alguns artistas em estúdio a trabalhar de forma árdua, a fazer aquilo que normalmente o rapper deve fazer. Não há exactamente permissão, a gente vai fazendo de forma clandestina e com vários limites, mas a gente continua vivo”, observou.

Por sua vez, o rapper Flagelo Urbano afirmou não haver uma política pública para a cultura e arte, porque o Estado exerce muita influência sobre a cultura, quando esta não pode estar atrelada ao poder político. “Eu acho que o Governo não tem feito quase nada neste sentido, tanto mais basta olhar para quota do OGE que o Governo disponibiliza para a cultura é ínfimo, quase que não existe.

Assim sendo, advertiu o rapper, “se se quer uma cultura mais avançada e produtiva, é necessário que o Governo adopte medidas, no sentido de incentivar, atribuindo uma parte do orçamento significativo para que se possa fazer coisas melhores e ajudar a retirar pessoas do crime e aquelas que vivem à margem para que possam ser inseridas na sociedade”, finalizou.

Valete (de Portugal), MCK (de Angola) e Azagaia (de Moçambique) foram a principal atracção do show Proibido Ver Isso

Finalmente, sobre a passagem de  de Valete e Azagaia por Angola, Xtremo Signo entende que traduz a boa relação que existe entre os rappers da lusofonia, embora existam intervenientes que tentaram destruir esta fraternidade entre Angola e Moçambique.

“A meu ver, a relação entre os rappers está muito boa, nós temos o Valete que é um ícone de Portugal, ele gosta de Angola e nós gostamos das músicas dele e a personalidade artística, o mesmo acontece com Azagaia, são artistas que têm passagens por Angola e são bem recebidos e quando vamos para Portugal e Moçambique também somos bem recebidos, por mais que tentem estragar a relação entre Angola e Moçambique, mas isso não resulta porque somos povos irmãos e a arte está acima de qualquer rivalidade”, expressou.

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Pedro Kididi

Jornalista

No último domingo, 6 de Maio, o Cine Atlântico acolheu o show “Proibido Ver Isso” de MCK, um concerto que voltou a reunir os grandes nomes do movimento hip-hop nacional e internacional, destacando-se a presença de Valete, de Portugal; e Azagaia, de Moçambique; Flagelo Urbano; Eva Rap Diva; Girinha, Miss Skills; Lizzy; Vanda Mãe Grande; além do anfitrião MCK, todos de Angola.

No local, o ONgoma News conversou com alguns rappers nacionais, que mostraram descontentamento  pela ausência de dinamismo no hip-hop nacional, elencando “a dormência, pouca transformação social e mensagens” negativas, além da procura pela fama como as principais características actuais da música rap em Angola.

Xtremo Signo, integrante do grupo Elenco de Luxo, considera que existir uma certa fragilidade no hip-hop nacional e um certo aproveitamento de rappers que, do seu ponto de vista, põem em causa a saúde do movimento. “Eu vejo que há dormência, tem alguma coisa ‘malaike’ (má), há muito produto podre e também há bom produto, mas o movimento está vivo. Nunca esteve tão diversificado quanto agoramas é mesmo assim, não existe Alpha sem Ómega, tem um sim e um não, então o rap também é assim. Tem os bons e os maus rappers”, observou.

Para Flagelo Urbano, o estilo encontra-se num momento em que os fazedores estão mais preocupados com a fama do que a intervenção social, mensagens e a consciencialização das pessoas através da música. “O Hip Hop nacional está num ambiente em que as pessoas estão mais preocupadas com o que vai tocar, as festas do que aquilo que são os problemas do país. Poucos artistas escrevem sobre o problema do país, mas devemos resgatar este ambiente, devemos ter uma nova visão e um novo modo de olhar os problemas para ajudarmos a melhorar as coisas”, disse, acrescentado que é preciso a intervenção, ademais, “não se deve apenas criticar as acções do Governo, mas também tem-se que procurar soluções”, pois "o Governo precisa ser nosso parceiro”, continuou.

Segundo MCK, “o  hip-hop nacional perdeu em profundidade aquilo que ganhou em extensão porque são muitos artistas hoje, mas um número reduzido daqueles que estão preocupados com a palavra, mensagens e com a transformação social”, afirmou.

Outro artista contactado pelo ONgoma News é Fly Skuad, que tem estado distante do microfone, mas que afirma ser complicado falar sobre o estado actual do movimento, “uma vez que de um lado está a nova geração a trabalhar conforme deve ser feito, na óptica da dinâmica do estilo, mas, por outro, está o tradicional hip-hop a desaparecer”. Para ele, “é difícil dar uma pontuação ao hip-hop nacional, se é negativo ou positivo, pois é a mudança dos tempos. Devemos compreender que as gerações sofrem algumas alterações, nem todas elas são saudáveis ou positivas, é um processo natural das coisas. O rap está como está, uns a trabalharem e outros a olharem, mas devemos continuar a dinamizar o movimento”, defendeu.

Todavia, do ponto de vista do ambiente político na música e arte, Fly Squad afirma que “a implementação das políticas do Estado não permitem uma manifestação artística livre, o que condiciona a realização de mais shows e o surgimento de mais artistas do estilo rap”, ademais, acrescentou, “as políticas que implementaram para de alguma forma combater este tipo de arte foram eficientes, por isso muitos de nós ficaram calados por algum receio. Olhando para aquilo que é o horizonte que a situação política actual nos permite ver, acho que cada um vai  fazendo o que pode, vamos ver alguns artistas em estúdio a trabalhar de forma árdua, a fazer aquilo que normalmente o rapper deve fazer. Não há exactamente permissão, a gente vai fazendo de forma clandestina e com vários limites, mas a gente continua vivo”, observou.

Por sua vez, o rapper Flagelo Urbano afirmou não haver uma política pública para a cultura e arte, porque o Estado exerce muita influência sobre a cultura, quando esta não pode estar atrelada ao poder político. “Eu acho que o Governo não tem feito quase nada neste sentido, tanto mais basta olhar para quota do OGE que o Governo disponibiliza para a cultura é ínfimo, quase que não existe.

Assim sendo, advertiu o rapper, “se se quer uma cultura mais avançada e produtiva, é necessário que o Governo adopte medidas, no sentido de incentivar, atribuindo uma parte do orçamento significativo para que se possa fazer coisas melhores e ajudar a retirar pessoas do crime e aquelas que vivem à margem para que possam ser inseridas na sociedade”, finalizou.

Valete (de Portugal), MCK (de Angola) e Azagaia (de Moçambique) foram a principal atracção do show Proibido Ver Isso

Finalmente, sobre a passagem de  de Valete e Azagaia por Angola, Xtremo Signo entende que traduz a boa relação que existe entre os rappers da lusofonia, embora existam intervenientes que tentaram destruir esta fraternidade entre Angola e Moçambique.

“A meu ver, a relação entre os rappers está muito boa, nós temos o Valete que é um ícone de Portugal, ele gosta de Angola e nós gostamos das músicas dele e a personalidade artística, o mesmo acontece com Azagaia, são artistas que têm passagens por Angola e são bem recebidos e quando vamos para Portugal e Moçambique também somos bem recebidos, por mais que tentem estragar a relação entre Angola e Moçambique, mas isso não resulta porque somos povos irmãos e a arte está acima de qualquer rivalidade”, expressou.

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