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“A nossa agricultura é grande, a estratégia para aproveitar o potencial talvez é que não seja autorizada”, afirma financeiro Mário Faria da Cruz

“A nossa agricultura é grande, a estratégia para aproveitar o potencial talvez é que não seja autorizada”, afirma financeiro Mário Faria da Cruz
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Andrade Lino

O financeiro Mário Faria da Cruz afirmou que a agricultura de Angola é grande, a estratégia para aproveitar o potencial talvez é que não seja autorizada, porque a agricultura hoje é um negócio tecnológico, “passa por criar ciências, estratégias de criar grandes fazendas agrícolas, o que em Angola seria o mais certo”, na sua opinião.

O especialista falou por ocasião da edição de Maio do Goza TV, um programa de entrevistas da plataforma de humor Goz´Aqui, dirigido por Tiago Costa, tendo afirmado que se olharmos para os outros países que se desenvolveram numa perspectiva agrícola, como China e Estados Unidos, a base é o pequeno agricultor, que depois consegue criar uma escala a partir daí desenvolver cultivos maiores.

“O agricultor angolano, residente na Gabela, por exemplo, não tem condições: não há água, não há banco. Como garantir que esse tenha acesso ao financiamento? Como garantir que  tenha acesso à informação? Porque a agricultura tem a ver com a rega, qualidade de solo, clima, sendo uma actividade sujeita a pragas. Como é que o agricultor consegue perceber se o momento da plantação está bom e que tratamentos dar?”, questionou-se, afirmando que estas são questões essencialmente tecnológicas, e há um factor crítico do nosso país que é uma grande vantagem competitiva que nós ainda não aproveitamos, que é o facto de que 13 milhões de angolanos têm Iphones.

O desafio passa por fazer com que com esse número consigamos fazer a informação que lhes chega permita ser eficiente no processo agrícola e como é que podemos nos conectar com o resto do mundo para vender os próximos produtos, disse o convidado. Ou seja, o desafio é “como criamos de facto o nosso mercado”.

“Nós temos problemas de água, problemas de luz, problemas de acesso à informação, nós temos dificuldade de tudo isso. Penso que enquanto país talvez estejamos a investir tempo demais a olhar para o redor disso, mas é importante olhar para o retrovisor. Nós temos que tentar perceber como é que construímos, e a minha visão é, nós não podemos reparar a economia que nós vivemos, nós temos que construir uma nova economia, a forma como nós estamos a olhar para o assunto,  porque só consertar a economia será impossível”, afirmou.

Mário Faria da Cruz disse ainda que o mundo mudou, e que de 7 anos para cá não é o mesmo. “Nós temos uma economia que tem um título de 130 milhões de dólares, mas temos uma população que cresce 3% ao ano. Ou seja, a economia não cresce há 4 ou 5 anos, mas a população contínua a crescer a 3%, o que significa que a 10 ou 15 anos nós vamos ficar 50% mais pobres”, lamentou.

Para crescermos, entende o financeiro, temos que estar mais focados e temos que encontrar soluções, mantendo pelo menos o nível de riqueza para não ficarmos todos os anos cada vez mais pobres.

Sistema financeiro angolano. Como está?

A forma como a nossa economia e o sistema financeiro se encontram são normalmente consequências daquilo que é o estado da economia. Uma má economia normalmente tem mau sistema financeiro, e o nosso sistema financeiro não permite que uma pessoa tenha uma só uma conta bancária, porque as dificuldades que existem em temas distintos no sistema financeiro, de uma forma simples, são várias, reparou o entrevistado.

“Eu penso que o nosso sistema financeiro tem deficiências estruturais e conceptuais. Nós achamos o sistema financeiro tem propósito principal garantir que exista uma inclusão financeira, ou seja, garantir que todas as pessoa façam parte do sistema e possam beneficiar do mesmo, consigam fazer as suas coisas, mas o nosso SF, é dominado por contas bancárias”, explicou, lembrando que, no Huambo por exemplo, 50% da população não tem sequer registo.

Reiterou que há problemas estruturais, e partilhou que pensa a capacidade de os bancos gerarem inclusão é limitada, mas não deveria ser assim, porque o modelo de negócio dos bancos faz aquilo que são os desafios da inclusão financeira.

“Por isso vemos que em África os bancos são empresas de telecomunicações, com excepção da África do Sul, que tem um sistema financeiro mais avançado e estruturado. No Quénia, Nigéria, Uganda, Tanzânia, os maiores bancos são as empresas de telecomunicações. Por quê?”, questionou-se, e afirmou que em África há telemóveis, que são de facto o maior agregador das sociedades africanas.

Por outro lado, a fonte aclarou que temos que agradecer aos chineses “que nos permitiram abriras novas portas ao mundo, porque vieram com os telefones baratos, sendo que os telefones europeus são muito caros, ninguém tinha acesso e a economia fica mais fechada”.

“Temos que mudar, é essa a abordagem, o grande tema do sistema financeiro. Ver como atacar o problema, porque se o fizermos pela via tradicional não vamos conseguir. Nós já temos 43 anos de história e não funcionou, e não vai funcionar por uma simples razão: não tem como funcionar, o problema do sistema financeiro é o mesmo problema que o da electricidade ou do acesso à escola”, concluiu.

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Andrade Lino

Jornalista

Estudante de Língua Portuguesa e Comunicação, amante de artes visuais, música e poesia.

O financeiro Mário Faria da Cruz afirmou que a agricultura de Angola é grande, a estratégia para aproveitar o potencial talvez é que não seja autorizada, porque a agricultura hoje é um negócio tecnológico, “passa por criar ciências, estratégias de criar grandes fazendas agrícolas, o que em Angola seria o mais certo”, na sua opinião.

O especialista falou por ocasião da edição de Maio do Goza TV, um programa de entrevistas da plataforma de humor Goz´Aqui, dirigido por Tiago Costa, tendo afirmado que se olharmos para os outros países que se desenvolveram numa perspectiva agrícola, como China e Estados Unidos, a base é o pequeno agricultor, que depois consegue criar uma escala a partir daí desenvolver cultivos maiores.

“O agricultor angolano, residente na Gabela, por exemplo, não tem condições: não há água, não há banco. Como garantir que esse tenha acesso ao financiamento? Como garantir que  tenha acesso à informação? Porque a agricultura tem a ver com a rega, qualidade de solo, clima, sendo uma actividade sujeita a pragas. Como é que o agricultor consegue perceber se o momento da plantação está bom e que tratamentos dar?”, questionou-se, afirmando que estas são questões essencialmente tecnológicas, e há um factor crítico do nosso país que é uma grande vantagem competitiva que nós ainda não aproveitamos, que é o facto de que 13 milhões de angolanos têm Iphones.

O desafio passa por fazer com que com esse número consigamos fazer a informação que lhes chega permita ser eficiente no processo agrícola e como é que podemos nos conectar com o resto do mundo para vender os próximos produtos, disse o convidado. Ou seja, o desafio é “como criamos de facto o nosso mercado”.

“Nós temos problemas de água, problemas de luz, problemas de acesso à informação, nós temos dificuldade de tudo isso. Penso que enquanto país talvez estejamos a investir tempo demais a olhar para o redor disso, mas é importante olhar para o retrovisor. Nós temos que tentar perceber como é que construímos, e a minha visão é, nós não podemos reparar a economia que nós vivemos, nós temos que construir uma nova economia, a forma como nós estamos a olhar para o assunto,  porque só consertar a economia será impossível”, afirmou.

Mário Faria da Cruz disse ainda que o mundo mudou, e que de 7 anos para cá não é o mesmo. “Nós temos uma economia que tem um título de 130 milhões de dólares, mas temos uma população que cresce 3% ao ano. Ou seja, a economia não cresce há 4 ou 5 anos, mas a população contínua a crescer a 3%, o que significa que a 10 ou 15 anos nós vamos ficar 50% mais pobres”, lamentou.

Para crescermos, entende o financeiro, temos que estar mais focados e temos que encontrar soluções, mantendo pelo menos o nível de riqueza para não ficarmos todos os anos cada vez mais pobres.

Sistema financeiro angolano. Como está?

A forma como a nossa economia e o sistema financeiro se encontram são normalmente consequências daquilo que é o estado da economia. Uma má economia normalmente tem mau sistema financeiro, e o nosso sistema financeiro não permite que uma pessoa tenha uma só uma conta bancária, porque as dificuldades que existem em temas distintos no sistema financeiro, de uma forma simples, são várias, reparou o entrevistado.

“Eu penso que o nosso sistema financeiro tem deficiências estruturais e conceptuais. Nós achamos o sistema financeiro tem propósito principal garantir que exista uma inclusão financeira, ou seja, garantir que todas as pessoa façam parte do sistema e possam beneficiar do mesmo, consigam fazer as suas coisas, mas o nosso SF, é dominado por contas bancárias”, explicou, lembrando que, no Huambo por exemplo, 50% da população não tem sequer registo.

Reiterou que há problemas estruturais, e partilhou que pensa a capacidade de os bancos gerarem inclusão é limitada, mas não deveria ser assim, porque o modelo de negócio dos bancos faz aquilo que são os desafios da inclusão financeira.

“Por isso vemos que em África os bancos são empresas de telecomunicações, com excepção da África do Sul, que tem um sistema financeiro mais avançado e estruturado. No Quénia, Nigéria, Uganda, Tanzânia, os maiores bancos são as empresas de telecomunicações. Por quê?”, questionou-se, e afirmou que em África há telemóveis, que são de facto o maior agregador das sociedades africanas.

Por outro lado, a fonte aclarou que temos que agradecer aos chineses “que nos permitiram abriras novas portas ao mundo, porque vieram com os telefones baratos, sendo que os telefones europeus são muito caros, ninguém tinha acesso e a economia fica mais fechada”.

“Temos que mudar, é essa a abordagem, o grande tema do sistema financeiro. Ver como atacar o problema, porque se o fizermos pela via tradicional não vamos conseguir. Nós já temos 43 anos de história e não funcionou, e não vai funcionar por uma simples razão: não tem como funcionar, o problema do sistema financeiro é o mesmo problema que o da electricidade ou do acesso à escola”, concluiu.

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